Líder do PSD/Porto acusa Público de manipular notícias

O líder do PSD/Porto, Virgílio Macedo, criticou hoje a "forma inadmissível" como o jornal Público manipulou notícias que acusam Miguel Relvas de pressões sobre jornalistas.

"É inadmissível que a luta interna de um jornal se transforme numa notícia", afirmou hoje Virgílio Macedo em declarações à Lusa, lamentando ainda que "questões internas de um jornal possam de certa forma tentar atingir a credibilidade de uma pessoa que, é conhecimento até agora, tem um comportamento ético com a comunicação social, área que até tutela".

O líder do PSD/Porto considera que se trata de "questiúnculas internas do próprio jornal Público que depois tentam trazer para o exterior através de publicação de meias notícias, ou notícias nenhumas, ou meios títulos, só por uma questão de luta de poderes dentro do próprio" jornal.

"O que diz a diretora do Público não é compatível com o que diz a notícia. Há ali uma incompatibilidade de discurso entre a diretora e a redação do Público", salientou.

Para Virgílio Macedo "se existe alguma notícia sobre qualquer assunto, referente a qualquer membro do governo, e que seja relevante e verdadeira" a mesma "deve ser publicada", lançando a questão: "Como é que um jornalista que teoricamente tem em seu poder uma notícia que na sua opinião é fidedigna e verdadeira sobre um membro do Governo não a publica?".

O social-democrata destacou também que "ninguém vai imaginar que existiram pressões sobre os jornalistas" até porque estes não são "suscetíveis de sofrer esse tipo de pressões, porque têm um código de ética que não lhes permite".

"E não acredito que o ministro Miguel Relvas tenha tido algum comportamento eticamente reprovável relativamente a qualquer jornalista ou qualquer órgão da comunicação social", rematou.

O Conselho de Redação do Público denunciou na sexta-feira, em comunicado, que Miguel Relvas ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um "blackout" de todos os ministros ao jornal e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma determinada notícia.

A notícia, da autoria de Maria José Oliveira e que acabou por não ser publicada, pretendia evidenciar "as incongruências" das declarações do ministro, na terça-feira, no Parlamento, sobre o caso das secretas.

Numa nota posterior, a direção do jornal justificou-se alegando que "não havia matéria publicável", tendo a decisão sido tomada antes de conhecer as ameaças.

Mais tarde, o Público noticiou que o ministro Miguel Relvas pediu, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direção ter protestado contra "uma pressão" do governante sobre uma jornalista que acompanha o caso das secretas.

O PS já anunciou que vai pedir a presença do ministro no Parlamento para esclarecer o caso e o PCP considerou que, caso se confirmem as "alegadas pressões" do ministro à jornalista do Público, Miguel Relvas "não tem condições para continuará a ser membro do Governo".á Já o Bloco de Esquerda exigiu a clarificação do caso, sublinhando que não pode existir "opacidade" em relação à liberdade de imprensa.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) vai solicitar a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias. Para o sindicato, a confirmarem-se as ameaças e pressões imputadas ao ministro, este "deixaria de ter condições para manter-se no Governo".

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