Líder da JSD critica "esdrúxulos argumentos" do CDS

Hugo Soares lamenta que se apontem os "custos" que a consulta popular comporta e diz que não discutir temas como a adoção e a coadoção por casais do mesmo sexo em "altura de crise" resultaria num "apagão democrático".

O deputado Hugo Soares, primeiro proponente do referendo nacional à adoção e coadoção por casais do mesmo sexo, considera que têm sido veiculados "os mais esdrúxulos argumentos" contra a proposta de consulta popular, apontando "os custos" que o processo comporta - tese invocada pelo CDS para se abster na votação de sexta-feira - como um exemplo flagrante.

"Claro que o referendo comporta custos, mas a democracia não tem custos? E esses custos não são superados pela liberdade de cada um poder votar? Trata-se de um argumento farisaico de quem não tem outros...", escreveu o líder da JSD num texto publicado no site oficial da organização juvenil dos social-democratas, vincando que abdicar de debater assuntos como aqueles que vão ser submetidos a referendo "suspenderia a democracia e a liberdade de pensamento", o que resultaria num "apagão democrático".

Por outro lado, Hugo Soares recorda que foi a JSD, tal como o DN já escrevera, a promover o debate sobre a coadoção na Universidade de Verão, em Castelo de Vide, salientando mesmo que a iniciativa no Parlamento resultou de uma decisão da Comissão Política Nacional Permanente da 'jota'.

"A JSD discutiu esta matéria em dois conselhos nacionais - órgão máximo entre congressos - não tendo havido uma crítica, apenas questões ou dúvidas. A JSD está unida à volta de uma posição que é tão arrojada como foi aquela de há trinta anos termos defendido o referendo sobre o aborto. Na JSD não há tabus nem medo do debate. Não há homofóbicos, intolerantes ou retrógrados", sustenta ainda, antes de frisar que a adoção e a coação são matérias "com tanta ou mais dignidade referendária" que outras que já foram propostas na Assembleia da República.

Em jeito de justificação, Hugo Soares refere também que não foi JSD a introduzir o tema na agenda legislativa, reiterando que a discussão em sede parlamentar - em particular no grupo de trabalho - não foi suficiente: "O debate não ultrapassou, como devia, os quatro muros do Parlamento; que devia ser feito na sociedade. Daí o referendo."

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