José Manuel Coelho apela à demissão de Cavaco

O ex-candidato à Presidência da República José Manuel Coelho disse hoje que Cavaco Silva "não é digno de ocupar" este cargo depois das declarações que proferiu, considerando que deve demitir-se.

"Eu quero apelar à consciência cívica de Vossa Excelência, se tem um pingo de consciência cívica, se tem um pingo de vergonha na sua cara, demita-se imediatamente desse cargo, Vossa Excelência não é digno de ocupar esse cargo depois das afirmações ofensivas que fez aos portugueses", afirma José Manuel Coelho, num vídeo colocado no Youtube.

Na sexta-feira, durante uma visita ao Porto, o Presidente da República foi questionado pelos jornalistas sobre o facto de poder receber subsídio de férias e de Natal pelo Banco de Portugal, tendo explicado que, "tudo somado" - o que vai receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações - "quase de certeza que não vai chegar para pagar" as despesas, recordando que não recebe "vencimento como Presidente da República".

Já na segunda-feira, numa declaração à agência Lusa, Cavaco Silva esclareceu que, com essas declarações, apenas quis ilustrar que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades, não tendo sido seu propósito eximir-se dos sacrifícios.

No vídeo, José Manuel Coelho, que é deputado do Partido Trabalhista Português (PTP) na Assembleia Legislativa da Madeira, assume-se "surpreendido com as recentes e infelizes declarações" do chefe de Estado, seu adversário na campanha presidencial de 2011, quando afirmou que "as reformas de que usufruía não chegavam para as suas despesas".

"Tempos depois, os portugueses acabaram por descobrir, graças à comunicação social, que essas reformas a que Vossa Excelência se referia que não davam para a sua vida totalizavam cerca de 10 mil euros", refere o antigo candidato.

José Manuel Coelho questiona: "Com que coragem Vossa Excelência se atreveu a dizer aos milhões de portugueses que recebem reformas de miséria neste país que as suas reformas todas juntas não davam para as suas despesas?".

"Digamos que a maioria dos portugueses nem 500 euros ganha de reforma e Vossa Excelência, ao proferir essas afirmações muito infelizes, vem insultar os portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza", sublinha, reiterando que "essa ofensa (...) contra os portugueses só tem um caminho, é a sua demissão".

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