José Luis Arnaut acusa PS de lidar mal com a verdade

O dirigente do PSD e antigo ministro José Luis Arnaut considerou hoje que o Presidente agiu com "total lisura institucional" nas afirmações sobre o ex-primeiro-ministro José Sócrates e acusou o PS de lidar mal com a verdade.

"O Presidente da Republica revela factos que aconteceram há mais de um ano, e que são importantes para que os portugueses conheçam a verdade do momento histórico que estamos a viver e dá-os a conhecer nesta altura, finda a legislatura e já no decorrer de uma nova legislatura. Faz, no meu entender, aquilo que ele deve fazer, pois refere-se a comportamentos concretos de um primeiro-ministro, que devia ter tido relativamente ao Presidente da República e à instituição que representa o Presidente, um comportamento diferente e digno de um primeiro-ministro", afirmou.

Em declarações à Lusa, o antigo ministro Adjunto de Durão Barroso e ministro das Cidades e Administração Local de Santana Lopes disse ainda que Cavaco Silva teve uma "atitude de total lisura institucional", deixando fortes criticas ao PS pela reacção às palavras do chefe de Estado.

"O que não se percebe, e o que eu não consigo perceber e entender é a reação em coro do PS, que vem agora em defesa de alguém que agiu mal. O PS de Sócrates saiu em defesa, Seguro veio a reboque, e disto tudo tira-se uma conclusão: o Partido Socialista lida mal com a verdade, prefere a ocultação dos factos à transparência das circunstâncias", acusa.

José Luis Arnaut defendeu as palavras de Cavaco Silva pela altura em que chegaram -- após o termo da legislatura e sobre um primeiro-ministro que já não está em funções -, afirmando que esta é uma diferença completa com o passado, em referência a outros Presidentes socialistas e deixou mais críticas ao PS.

"É triste que o PS, depois da governação desastrosa que teve e que ocultou aos portugueses a situação que nos deixou, continue a insistir e a ter medo da verdade e a criticar aqueles que em nome da democracia e dos valores republicanos, tornem claro e transparente o funcionamento das instituições", concluiu.

No prefácio do livro "Roteiros VI", que reúne as suas principais intervenções públicas, Cavaco Silva tece várias considerações sobre a postura do ex-primeiro-ministro José Sócrates, criticando não ter sido "previamente informado sobre o conteúdo ou sequer da existência do PEC IV'" tendo por isso ficado "impedido de exercer a sua magistratura de influência com vista a evitar o deflagrar de uma crise política".

"Tratou-se de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia. O Presidente da República, nos termos constitucionais, deve ser informado acerca de assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País", acusa.

No texto, Cavaco Silva lembra o pedido de demissão do então primeiro-ministro por falta de condições políticas, na sequência do chumbo do 'PEC IV' no Parlamento, e o facto de não existir "qualquer hipótese de constituir um Governo alternativo com o mínimo de solidez e consistência", com todos os partidos da oposição a rejeitarem "liminarmente" a possibilidade de integrarem um Executivo com o PS liderado por José Sócrates e os próprios socialistas a não manifestarem "interesse genuíno na formação de um Governo de coligação".

O PR fez estas declarações no final da legislatura, isto refere se a uma legislatura anterior e a um PM que já não está em funções. É uma diferença completa.

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