João Semedo pede para se enterrarem os machados de guerra

Coordenador cessante encerra a IX Convenção do BE com apelo à união, frisando que a Mesa Nacional tem agora uma "responsabilidade especial" na escolha da nova direção. Mas diz que se deve olhar para a votação das moções.

Foi o coordenador cessante, João Semedo, que fechou a IX Convenção do BE. "A mais disputada de sempre", afirmou, ainda que tenha sublinhado a "transparência" do combate político travado, sobretudo, entre a lista que juntamente com Catarina Martins encabeçava e a lista afeta a Pedro Filipe Soares, da tendência Esquerda Alternativa. Contudo, terminada a reunião magna, o ainda líder bloquista foi assertivo: "Esta disputa interna, sem prejuízo das nossas diferenças, deve encerrar."

Embalado, ainda que com cautelas, isto é, sem querer assumir qualquer vitória, Semedo sugeriu aos demais dirigentes que contribuam para "uma nova fase do BE", salientando a "cultura de unidade" que sempre prevaleceu no partido.

Mas, à margem dessa cultura de unidade, o dirigente bloquista deixou um recado aos 79 membros eleitos para a Mesa Nacional. É verdade que houve um empate (34 membros eleitos pela tendência Socialismo e outros 34 da corrente de Pedro Filipe Soares e Luís Fazenda), mas, vincou, "houve um sinal político" com a votação das moções de orientação política que o órgão máximo entre convenções "deve saber interpretar".

A rematar a intervenção, criticou, como seria de esperar, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e até Ricardo Salgado, mas o alerta mais incisivo foi dirigido a António Costa, confirmado oficialmente como secretário-geral do PS na véspera: "No dia em que mostrar aquilo que que se tem esforçado para esconder, o BE terá o BE nas rua." Isto, naturalmente, numa alusão à redução de salários ou a qualquer intenção de aumento de impostos. Em suma, de prosseguir com as políticas de austeridade, das quais se tem demarcado.

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