João Almeida admite aliança com o PSD em 2015

O porta-voz do CDS-PP, João Almeida, afirmou esta sexta-feira que "o mais provável" é que o próximo mandato de Paulo Portas não seja o último e admitiu uma aliança pré-eleitoral com o PSD nas legislativas de 2015.

Em entrevista à Agência Lusa, João Almeida admite uma candidatura de Portas à Presidência da República e defende também que o "balanço positivo" no final da legislatura pode determinar condições "como nunca houve" desde o Governo da Aliança Democrática para "discutir uma eventual coligação pré-eleitoral" com o PSD.

Contudo, ainda é cedo para discutir a matéria, apontou João Almeida, subscritor de uma moção de estratégia global ao XXV Congresso do CDS-PP, que decorre sábado e domingo em Oliveira do Bairro.

Sobre as eleições europeias, o ainda porta-voz do CDS-PP, que tomou recentemente posse como secretário de Estado da Administração Interna, defende que a disputa de votos com o PSD num ato eleitoral sobre a Europa "enfraqueceria necessariamente a posição de Portugal" quando está a terminar o programa de assistência financeira.

"Neste momento, aquilo que é impossível de dizer é que será o último [mandato de Paulo Portas]. Neste momento, é impossível decidir que é o último, pela simples razão que este mandato inclui o resto da legislatura em que estamos e seria incompreensível que no final da legislatura, fazendo-se um balanço positivo, que, fosse uma opção de coligação ou de candidatura do CDS com listas autónomas, que Paulo Portas não estivesse nessa eleição a liderar o partido", afirmou João Almeida.

Para o dirigente centrista, "faria pouco sentido depois de um ciclo tão intenso, em que se empenhou, para o qual contribuiu decisivamente, que saísse no fim desse ciclo".

"Não vejo como provável essa hipótese e acho que o mais provável é que haja uma candidatura de Paulo Portas no próximo congresso do partido", declarou.

Para João Almeida é também "perfeitamente possível" que o líder do CDS-PP venha a protagonizar uma candidatura presidencial, não necessariamente nas próximas eleições, uma ideia defendida também pelo presidente da mesa do Conselho Nacional do CDS-PP e ministro da Economia, António Pires de Lima, numa entrevista ao jornal Público na quinta-feira.

"Depende do clima que houver nas eleições presidenciais. Se for um debate mais alargado, acho que várias candidaturas enriquecem e, necessariamente, acho que hoje em dia é impossível considerar um espaço do centro para a direita, em termos de representação de algumas personalidades que tenham essa implantação nesse espaço político, excluindo Paulo Portas", disse, considerando, contudo, que é uma discussão prematura.

João Almeida considerou também que é "muito cedo" para discutir uma eventual coligação com o PSD nas eleições legislativas, mas admite essa possibilidade.

"O balanço final da legislatura será determinante para um balanço dos dois partidos fazerem ou não uma coligação. Havendo um balanço positivo no final da legislatura, acho que haverá condições, se calhar como nunca houve no passado mais recente, pós-início dos anos 1980, para discutir uma eventual coligação pré-eleitoral, mas acho que é muito cedo ainda para fazer essa antecipação", argumentou.

Antecipar o próximo congresso permitiria fazer essa discussão no seio dos centristas, apontou João Almeida, que defende na moção que apresenta ao Congresso a criação do mecanismo de referendo interno e que poderia ser uma forma de legitimar uma decisão deste teor.

Sobre as eleições europeias, João Almeida considera que, "quer do ponto de vista dos argumentos políticos que têm a ver com o relacionamento entre os dois partidos que estão no Governo, quer principalmente dos argumentos em termos de interesse nacional, [o contexto] puxa muito para um apoio bastante significativo à hipótese de coligação".

"Faria pouco sentido que dois partidos que estão juntos no Governo, que têm um projeto de governação do país, que juntos lutam pela defesa do interesse nacional no quadro europeu, estivessem a fazer uma campanha europeia concorrencial, com visões diferentes, isso enfraqueceria necessariamente a posição de Portugal e esse não é o objetivo de nenhum dos dois partidos", sustentou.

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