Jerónimo de Sousa: "Passos Coelho quer ser beneficiado"

Líder comunista invoca princípios da "igualdade" e da "não discriminação" para contrapor a ideia do primeiro-ministro, embora frise que não existem "escrituras sagradas".

Não foi a chuva que caiu na manhã desta quarta-feira sobre o Barreiro que impediu Jerónimo de Sousa (e as cerca de 250 pessoas que o seguiam) de cumprir a arruada que devido às condições atmosféricas esteve mesmo em risco de ser abortada.

O líder comunista chegou com 30 minutos de atraso ao ponto de partida para mais uma ação de campanha da CDU mas o desfile lá arrancou, com o ambiente de entusiasmo que aquela força política costuma encontrar num concelho que atualmente gere - Carlos Humberto recandidata-se ao cargo de presidente da Câmara Municipal.

Mais à frente e depois de distribuir muitos beijos, apertos de mão e abraços, Jerónimo de Sousa falou aos jornalistas, contrariando o primeiro-ministro, que na véspera defendera a alteração da lei eleitoral autárquica, nomeadamente no capítulo da cobertura feita pelos meios de comunicação.

"Não há nenhuma lei que seja intocável, que seja uma escritura sagrada, mas aquilo que está pressuposto na sua [Pedro Passos Coelho] declaração é discriminar positivamente os partidos da troika e não fazer prevalecer, com a devida medida, os princípios da igualdade e da não discriminação. Passos Coelho quer ser beneficiado em relação a outros, mas a nossa democracia não comporta essa situação", atirou o líder comunista, salientando que "o problema não está na lei" e que a CDU aceita discutir tudo desde que esses dois princípios não sejam afrontados.

Já sobre o facto de os presidentes do PSD, Passos Coelho, e do CDS, Paulo Portas, terem estado lado a lado em Sintra numa ação de campanha para o sufrágio do próximo domingo, Jerónimo encolheu os ombros e apontou aos centristas.

"É um problema que tenho dificuldade em discutir. Ouço Paulo Portas afirmar, em Alcobaça, 'Aqui não há PSD, aqui é CDS'. Ontem [terça-feira] foi o que foi... Enfim, o CDS é um artista", observou, defendendo que o importante é que "juntos ou separados" os dois partidos da coligação governamental "sofram uma derrota significativa".

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