Jardim só não foi à manif por "decoro institucional"

O presidente do Governo da Madeira declarou hoje que não se juntou à manifestação "Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!" que decorreu em dezenas de cidades sábado por "decoro institucional", insistindo que é preciso mudar o regime.

"A situação é muito difícil. Eu ontem só não me juntei às manifestações que se fizeram por todo o pais por uma razão de decoro institucional", disse Alberto João Jardim na inauguração de uma pista de motocrosse no concelho da Ponta do Sol.

Jardim considerou que "ao contrário das manifestações de partidos e sindicatos e outras coisas que há para aí, que vivem à custa do regime politico, aquelas sim, eram manifestações legítimas, era o coração do povo a falar, porque isto atingiu limites insuportáveis".

O líder madeirense recordou que há muito tempo vinha alertando para os perigos da situação do país, dizendo várias vezes que "o regime político português ia acabar mal, não se aguentava e ia acabar sob administração estrangeira", mas foi sendo desvalorizado e criticado.

"Eu fui dizendo tudo a tempo, quando digo que é errado fazer uma política em se que chega à fadiga fiscal, isto é as pessoas não poderem pagar mais impostos, não terem dinheiro para comprar, a economia não funciona, como não funciona, há desemprego", referiu.

Jardim adiantou que "sempre disse que o socialismo estava a fazer loucuras e a enterrar este país", apontando que muitos dos que "andaram a votar no socialismo se calhar agora são os mesmo que agora estão a fazer manifestações".

"Defenderam um regime que não tinha solução, votaram para governos que não compreendem o que é a sociedade sem sensibilidade social, governos tecnocratas e quando eu apareço a dizer vamos mudar isto, é preciso mudar isto, dizem que não, que é perigoso mudar", argumentou.

"Quer-se mudar, mas ao mesmo tempo tem-se medo de mudar e isto é que é espantoso, mas se não se mudar as coisas, podem fazer 20 manifestações por dia, que é pura perda de tempo", acrescentou.

Jardim insiste que é "preciso ter a economia a funcionar, haver inflação, dívida publica para economia poder funcionar, que foi criminoso andar-se a especular com o dinheiro dos outros, com os depósitos que estavam no banco, andar a brincar à bolsa e a outras coisas, e os estados soberanos são culpados disso tudo porque os governos dos países deixaram fazer essa pouca-vergonha".

O governante garantiu que vai "fazer todo o possível para não ser misturado no impasse a que chegou o país, por teimosia do próprio pais, por querer manter um regime político que não tem solução, por ter receio, porque é fácil fazer uma manifestação, agora a questão está é a seguir, o que se vai fazer, o que temos de fazer e ter cortagem para fazer", sublinhou o governante regional.

E concluiu: "Porque eu continuo a acreditar, eu continuo a ter esperança, mas preciso que ajudem a mudar isto quer a nível regional, quer a nível nacional".

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