Jardim: "O que é que faz aqui a República Portuguesa?

O presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, disse hoje que se a região chegar a 2015 com as finanças consolidadas, a população tem o direito a perguntar o que faz a República Portuguesa no arquipélago.

"Nós pagámos todas as obras que se fizeram desde o início da autonomia na Madeira, Lisboa não pagou um tostão, fez umas obrazinhas nos tribunais, mesmo assim alguns tribunais pagámos nós, fez umas obrazinhas nos quartéis, fez umas obrazinhas numas esquadras de polícia e, mesmo assim, eles vivem mal, de resto não fez nada", afirmou Alberto João Jardim no adro da Igreja Paroquial da Ribeira Brava, onde explicou, após a missa dominical, as circunstâncias que levaram a região a ter uma dívida de seis mil milhões de euros e a necessitar de ajuda financeira.

Apontando, ainda, os casos do aeroporto e do estabelecimento prisional, e antes os investimentos na área da educação e da saúde, que classificou como "obrigação" do Governo Central, no valor de oito mil milhões de euros, o chefe do Executivo insular questionou: "Tudo o que a Madeira fez de novo, foi o povo madeirense que pagou; a dívida está o povo madeirense a pagar, a minha pergunta é muito simples e acho que em 2015 as pessoas têm o direito de se interrogar, o que é que faz aqui a República Portuguesa?".

"Paga às polícias, paga aos tribunais, paga aquilo que nos vigia, mais nada. O que é que faz aqui a República Portuguesa? Esta é a pergunta que se vai pôr se nós conseguirmos consolidar as nossas finanças e perante o facto de eles aqui não terem feito nada", declarou Alberto João Jardim.

O chefe do Executivo insular acrescentou: "Só para ter as leis deles, que muitas são idiotas, para termos a Lei do Aborto, a lei do casamento 'gay' e não sei mais essas coisas - essas leis esquisitas que eles fazem - muito obrigado, mas aqui não se gasta dessa fruta. De maneira que só para ter essas leis, não vejo razão para se estar a aturar tudo isto".

Alberto João Jardim repetiu que discorda com as políticas de austeridade em curso.

"Evidentemente que a Madeira precisa do dinheiro, evidentemente que a Madeira tem de aceitar, mas políticas que é só cortar, cortar, só austeridade, políticas que põem em causa o crescimento da economia, políticas que põem em causa o emprego, eu não subscrevo esta política, a não ser que daqui a um ano esteja demonstrado, afinal, foi um milagre o que eles fizeram", referiu.

Alberto João Jardim deixou "muito claro" que não era desta forma que "resolveria o problema", expressando resignação: "Mas a Madeira está numa situação de fraqueza, nós temos que cumprir as leis que a República nos impõe".

Aos presentes, o presidente do Governo Regional considerou que a região vai precisar de "muita calma, de muita estabilidade" para enfrentar a atual situação, sublinhando que na região "há um partido que consegue manter a estabilidade", e defendeu a necessidade de haver "calma e serenidade também" para resolver a questão do próximo candidato a presidente do Governo.

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