Jardim critica "frieza desumanizada" do Estado português

O presidente do Governo da Madeira afirmou hoje que o povo madeirense "já suportou demasiado", considerando ser "inadmissível a frieza desumanizada" com que o Estado faz a região esperar pelo que foi acordado no programa de ajustamento.

"Com o esforço duro do povo madeirense estamos a conseguir honrar os sacrifícios a que nos comprometemos para a necessária consolidação das finanças regionais, nos termos injustos que nos foram impostos quando do estado de necessidade em que nos encontramos", disse Alberto João Jardim na sessão de abertura do debate integrado nas comemorações do Dia do Empresário promovido pela Associação Comercial Industrial do Funchal (ACIF).

Mas, segundo Jardim, o Estado português "não cumpriu, sendo inadmissível a frieza desumanizada como faz esperar as instituições madeirenses, públicas e privadas", declarando: "Demasiado tempo à espera daquilo que nos é devido conforme o acordado".

O governante opinou ainda que "ao longo de séculos, porventura por ter valores e ser pacífico, o povo madeirense já suportou demasiado".

E o líder madeirense criticou as "sucessivas leis imorais de finanças regionais, a sabotagem ao Centro Internacional de Negócios desencadeado pelo próprio Estado português, a recusa de meios financeiros para concluir investimentos, (...) a situação que se vive na justiça".

Jardim falou também do "falhanço da política fiscal que aumentou insuportavelmente os impostos, causando ruína e a queda das receitas públicas", aumentando a despesa do Estado.

"Todos os erros pondo em causa o estado social, alimentando uma ilusão de 'reforma do Estado' sem querer alterar a Constituição da República e mantendo a despesa com flagrantes 'gorduras do Estado', só porque estes ícones do regime político cegamente sacralizado mesmo que à custa dos reformados e outros pensionistas", disse.

O chefe do executivo insistiu na importância de uma revisão constitucional, de uma nova política económica, na necessidade da dívida pública regional ser "tratada à parte", de ser dada "prioridade ao emprego e não ao défice", realçando que no atual contexto de dificuldades a Madeira "não vai a lado nenhum se não tiver uma autonomia maior", com sistemas fiscal e financeiro próprios e mais competências legislativas.

"Sobre a atual conjuntura muita coisa está já dita, diferentes diagnósticos feitos, mas a verdade é que não a conseguimos ainda ultrapassar", salientou.

Apelou aos empresários da Região que "não ajudem os que pretendem destruir o que a Madeira já conquistou".

O programa comemorativo do Dia do Empresário Madeirense inclui um jantar de gala que conta com a presença e intervenção do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG