Jardim critica "fanáticos do regime político"

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, responsabilizou hoje os "fanáticos do regime político" pela atual situação da República Portuguesa.

"A República Portuguesa não está bem porque os fanáticos do regime político querem manter este regime político", declarou Jardim aos jornalistas à margem da inauguração das obras de remodelação de um restaurante no concelho do Porto Moniz.

"Morram com este regime político, agora não matem os madeirenses", adiantou o governante insular, dizendo: "Já nada me surpreende nesta República Portuguesa".

Alberto João Jardim escusou-se a comentar as declarações do líder do CDS/PP-M e ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, referindo "não poder falar de uma coisa que não viu".

O primeiro-ministro, Passos Coelho, anunciou na sexta-feira, numa declaração ao país, um pacote de medidas que vão poupar nas despesas do Estado 4,8 mil milhões de euros, até 2015, que inclui o aumento do horário de trabalho da função pública das 35 para as 40 horas, a redução de 30 mil funcionários públicos e o aumento da idade da reforma para os 66 anos de idade.

O Governo pretende também criar uma contribuição sobre as pensões e prevê o aumento das contribuições para os subsistemas de saúde dos trabalhadores do Estado (nomeadamente a ADSE) em 0,75 pontos percentuais, já este ano, e 0,25 % no início de 2014.

O primeiro-ministro anunciou ainda que o Governo pretende limitar a permanência no sistema de mobilidade especial a 18 meses e eliminar os regimes de bonificação de tempo de serviço para efeitos de acesso à reforma.

O presidente do CDS-PP e líder do segundo partido da coligação do Governo, Paulo Portas, disse no domingo não concordar com a introdução de uma contribuição sobre pensões e adiantou que o Governo vai negociar com a 'troika' para encontrar medidas de redução da despesa do Estado equivalentes.

Na sexta-feira, numa iniciativa em Machico, mesmo antes do primeiro-ministro anunciar o novo pacote de medidas, Jardim disse "discordar" desta política.

"Discordo disso tudo (...), o que sei é que o país não aguenta mais. É mau para o país todo", disse o governante madeirense, apontando que a Madeira "não pode escapar" a essas medidas, porque "não tem margem para fazer grandes alterações, porque o Estatuto Político-administrativo diz que o regime da função pública é igual ao nacional".

"As medidas que estão em vigor estão em vigor", referiu, opinando que "o que está errado são as políticas que estão a ser impostas a Portugal e que Portugal está a aceitar desenvolver",

"Portanto não é por aqui", sustentou o líder madeirense.

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