Jardim contraria ministro e insiste nos 5,8 mil ME

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, insistiu hoje que a dívida da região autónoma é de 5,8 mil milhões de euros. O ministro das Finanças falou na sexta-feira de 6.328 milhões de euros.

"É aquela a dívida, nem mais um tostão, que eu não pago dívidas que não são da região autónoma", afirmou Alberto João Jardim no final da inauguração de parte da primeira fase da estrada cota 500, que serve as zonas altas do concelho do Funchal.

Aos jornalistas, o chefe do executivo madeirense sustentou que o relatório divulgado na sexta-feira "está errado", assegurando que a sua versão do documento "será apresentada na altura própria, perante as entidades próprias".

"Agora estão entretidos em abafar o que se passa lá, por exemplo a lei de despedimento sem justa causa, que eu também não concordo e estou com aqueles que não concordam, e vão disfarçando coisas que são gravíssimas para o povo português entretendo com a Madeira", declarou.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou na sexta-feira que a Região Autónoma da Madeira tem uma dívida de 6.328 milhões de euros.

Segundo Vítor Gaspar, a dívida da Madeira vale "123 por cento do PIB da região e corresponde a 600 por cento da receita efectiva em 2010 e 927 por cento das receitas fiscais, acrescentando que "cerca de 47 por cento da dívida é responsabilidade do sector empresarial regional".

Alberto João Jardim assegurou ainda que o executivo regional "vai cumprir religiosamente o acordo que for feito com o Estado", frisando que "para haver acordo é preciso que as duas partes acordem".

Questionado sobre até quando o Governo madeirense tem liquidez para pagar salários, o responsável respondeu: "Isso tem sempre, só as nossas receitas fiscais dão sempre".

"Mesmo que eu fechasse tudo o resto, para salários havia sempre, essa rasteira não me podem pregar", afiançou.

Já na cerimónia de inauguração, Alberto João Jardim sublinhou o esforço de conclusão desta fase da via cota 500. "Estou satisfeito por vir ao encontro da vontade das populações", declarou, adiantando que "o erro teria sido não ter começado" a obra.

Segundo o governante, "as coisas, quando estão começadas, mais cedo ou mais tarde têm de ser acabadas". E sublinhou: "E isto que fiz aqui, fiz em vários locais, não estou aqui para brincar aos interesses que estão fora da Madeira, para mim o que conta são os interesses do povo madeirense".

Antes do discurso, Alberto João Jardim percorreu a nova ligação rodoviária, numa extensão de 1.300 metros, acompanhado por centenas de pessoas, entre as quais estavam, também, candidatos do Partido da Nova Democracia com uma faixa na qual se lia "não faças batota eleitoral".

Pelo caminho, o governante foi cumprimentando os populares e, quando alguém se lhe dirigia, os seguranças faziam questão de afastar os jornalistas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG