Voto sobre os 25 anos da queda do Muro de Berlim isola PCP

Maioria e PS aprovam congratulação pelo 25.º aniversário da efeméride. BE critica "caricatura de socialismo" que existia na Europa de Leste. PCP fala em "tentativa de reescrever a história".

O Parlamento aprovou esta sexta-feira, em plenário, um voto de congratulação pelo 25.º aniversário da queda do Muro de Berlim. Porém, tal como seria de esperar, a discussão da iniciativa apresentada por PS, PSD e CDS esteve longe de ser consensual. Socialistas, sociais-democratas e centristas sublinharam o papel libertador do acontecimento, lançando farpas ao PCP sobre o regime que vigorava na Europa de Leste. Os comunistas responderam com a ideia de que as declarações das restantes bancadas não passavam de "uma tentativa de reescrever a história".

Pelo PCP, a deputada Carla Cruz disse que há 25 anos se anda a "propagandear o reino da paz e da liberdade", em particular na Europa, vincando, em contraponto, que o mundo é atualmente "mais injusto e perigoso" devido às "agressões dos EUA e dos seus aliados da NATO".

O BE, que optou pela abstenção, saudou a queda do Muro, assinalando que "o socialismo ou é uma democracia" ou não passa de "uma caricatura de socialismo", ainda que tenha referido, por intermédio de Luís Fazenda, a sua discordância em relação ao texto apresentado pelos grupos parlamentares da maioria e do PS.

Heloísa Apolónia, por sua vez, salientou a discrepância entre o título do voto e o seu conteúdo, declarando que não pedissem ao PEV para "votar louvores a Ronald Reagan e Margaret Thatcher", ambos mencionados no documento em apreciação.

Para dissipar essas dúvidas, o texto acabou por ser lido na íntegra, por decisão das bancadas, com a votação final a não surpreender: luz verde de PS, PSD e CDS, abstenções do BE e do PEV e o PCP, sozinho, a votar contra.

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