Teixeira dos Santos fala em "relação estreita" Governo-Banco de Portugal

O Banco de Portugal (BdP) "precisou da colaboração do Governo" para a resolução do caso BES, afirmou hoje Teixeira dos Santos.

Falando na comissão de inquérito ao BES, o ex-ministro das Finanças recordou que houve dois decretos "aprovados de forma secreta" pelo Governo, sem os quais o plano de resolução posto em prática pelo BdP não poderia ter avançado.

Houve portanto, no seu entender, "uma relação estreita" entre as duas entidades, Governo e regulador bancário.

O ministro das Finanças dos governos de Sócrates (2005-2011) afirmou ainda que para enganar os supervisores basta querer. "Se alguém quer enganar o supervisor, engana o supervisor."

Segundo acrescentou - respondendo a uma pergunta do deputado do PCP Miguel Tiago - não é por uma instituição financeira ser estatal que automaticamente se impedem comportamentos ilícitos na gestão.

"A natureza pública não é blindagem para se evitarem comportamentos humanos motivados pela ganância, que levam as pessoas a cometer atos ilícitos", disse, recordando a atual situação criminal em torno dos "vistos Gold", que envolve vários altos funcionários do Estado. "Estes comportamentos desviantes também se encontram em instituições públicas."

O ex-ministro escusou dizer se em sua opinião o Governo tinha ou não tido uma "gestão política" do 'caso BES' de forma a atirar a sua resolução para o período pós-troika

Argumentou no entanto que nas circunstâncias de então, com o país vigiado de muito perto pela troika, não seria possível à ministra das Finanças "dar-se ao luxo de mentir" (sobre a real dimensão da crise no GES e o seu impacto no BES)

Mas acrescentou: "Falo por mim, só, só ponho as mãos no fogo por mim."

Teixeira dos Santos disse ainda desconhecer que contactos que José Sócrates teve com Ricardo Salgado. "Não conhecia a agenda do senhor primeiro-ministro."

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