Soares e 77 personalidades exigem demissão de Passos

Com a acusação de estar a "fazer caminhar o País para o abismo", 78 personalidades exigem ao primeiro-ministro que se demita. Entre as razões está a "aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável", que consideram que "não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão".

A acrescentar, diz o manifesto, o Orçamento é de "duvidosa constitucionalidade", para além de agravar de forma "incomportável da situação social, económica, financeira e política". Daí que os signatários exijam "pelo interesse nacional" ser dever de Passos Coelho "retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências".

Para os signatários desta violenta carta aberta ao primeiro-ministro, os portugueses perderam "toda e qualquer esperança" neste Governo, devido aos erros constantes nas "previsões apresentadas quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública".

Consideram também que as promessas de Passos Coelho enganaram os portugueses antes e depois das eleições legislativas porque "o País foi então inventariado à exaustão" e ao apresentarem-se às eleições que levaram a coligação PSD/CDS ao Governo já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, não havendo justificação para que "nenhum candidato à liderança do Governo pudesse invocar desconhecimento sobre a situação existente".

Para os 78 signatários, o programa eleitoral sufragado pelos portugueses e o programa de Governo aprovado na Assembleia da República não correspondem às promessas eleitorais e que "foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar". Daí que, alertem, "as consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os portugueses e que há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática".

As personalidades de todas as áreas da sociedade civil que assinam a carta aberta a Passos Coelho afirmam ser "indesmentível" que "os eleitores foram intencionalmente defraudados" e que "nenhuma circunstância conjuntural pode justificar este embuste". Por isso, escrevem, verifica-se uma "rejeição que de norte a sul do País contra o Governo". E acrescentam que se o "clamor" é geral, o que se observa é que "o Governo não hesita em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando".

Além destas críticas, os signatários criticam "o cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço", ao que se soma "o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira", além de as reduções dos salários que não pouparem sequer os mais baixos e incentivam a emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis.

A carta aberta a Passos Coelho foi entregue também ao Presidente da República.

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