Seguro: Sinais de recuperação são "sol de pouca dura"

O secretário-geral do PS rejeitou hoje a existência de qualquer trajetória sustentável de recuperação económica em Portugal, falando antes em "sol de pouca dura" face a indicadores como a produção industrial, as exportações e importações.

António José Seguro assumiu esta posição na sua segunda intervenção do período de abertura do debate da proposta de Orçamento do Estado para 2014, na generalidade, na Assembleia da República.

De acordo com a tese apresentada pelo líder socialista, no atual contexto económico e financeiro, importa aferir se os mais recentes sinais económicos são sustentáveis "ou sol de pouca dura".

"Infelizmente, esses sinais não são sustentáveis. Dou-lhe factos: Houve um abrandamento significativo na produção industrial entre o terceiro trimestre em comparação com o anterior [dados de hoje]; as exportações registaram uma quebra face ao segundo trimestre, havendo indícios que terá havido nova quebra no terceiro trimestre; e as importações aumentaram, porque basta haver um pouco de animação económica para que haja um aumento das importações", apontou o líder socialista.

Seguro deu depois como exemplo o facto de a Grécia ter registado recentemente um excedente, eliminado o défice externo, mas ter no entanto, ao mesmo tempo, avolumado o nível das suas crises.

"O primeiro-ministro acusou-me de ter repetido neste debate o que disse na semana passada. É verdade, e até podia ter dito que tinha repetido aquilo que venho dizendo há dois anos. Tomo isso por elogio", referiu o secretário-geral do PS.

Depois, António José Seguro citou "um grande político que disse uma vez que só conhece dois géneros de políticos: Os que se repetem porque são coerentes e os que estão sempre a dizer o contrário porque prometem uma coisa e fazem outra".

"O senhor primeiro-ministro pertence a esse segundo género de políticos. Esse plano de cortes que apresenta [com a proposta de Orçamento] resiste a qualquer manobra de diversão que o seu Governo tente lançar para que se discuta outras matérias", acusou o líder socialista.

António José Seguro classificou ainda como inaceitável que Pedro Passos Coelho diga que só ele, enquanto líder do PS, não reconheça que o país está melhor do que em maio de 2011.

"Pergunte se o país está melhor aos portugueses que ficaram sem as suas causas, que vão ficar sem as suas pensões, aos que vão sofrer cortes de salários e cortes retroativos de pensões, aos jovens que têm de emigrar e àqueles que ficaram sem emprego. Temos um primeiro-ministro em estado de negação", declarou o secretário-geral do PS.

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