Seguro insiste que Cavaco deve "obrigar" Passos a demitir Machete

O secretário-geral do PS, António José Seguro, reforçou hoje, em Alenquer, que o Presidente da República "não pode ficar de braços cruzados" e deve "obrigar" o primeiro-ministro a demitir o ministro dos Negócios Estrangeiros.

"Considero que o primeiro-ministro devia ter demitido o seu ministro. Mas como nem o ministro apresentou demissão, nem o primeiro-ministro a exigiu, o Presidente da República, como principal magistrado da Nação, não pode ficar de braços cruzados. Tem de agir no sentido de obrigar o primeiro-ministro a honrar os princípios e valores da República", afirmou António José Seguro.

O secretário-geral do PS falava em Alenquer, no tradicional jantar de comemoração do 05 de outubro, com mais de quatro centenas de militantes.

"Quando há um membro do Governo que viola grosseiramente o princípio da separação de poderes, quando viola grosseiramente o princípio da autonomia da investigação criminal e nada lhe acontece, como querem que os portugueses confiem na República, no Governo", questionou António José Seguro.

Na mesma senda, voltou a perguntar, "quem pode ficar surpreendido que os portugueses fiquem desiludidos e desencantados com a política e se afastam dos responsáveis da governação quando um Governo falta à verdade e nada lhe acontece e quando o primeiro-ministro se coloca à sua frente e diz que tudo passou de uma expressão infeliz".

No discurso do 05 de outubro, o socialista considerou que "o país está tão carenciado não apenas de gente que cumpra a lei, mas sobretudo de gente que cumpra a lei e seja consequente nos princípios e valores", referindo-se de forma indireta ao caso do ministro dos Negócios Estrangeiros, de que falou logo de seguida.

Já no final da sessão comemorativa do 05 de Outubro, que decorreu hoje de manhã na câmara de Lisboa, António José Seguro tinha pedido a demissão de Rui Machete.

Em causa está um pedido de desculpas do ministro dos Negócios Estrangeiros a Angola por investigações do Ministério Público português a dirigentes angolanos.

Questionado sobre o caso, o Presidente da República sublinhou, no final das comemorações do 05 de outubro que decorreram durante a tarde no palácio de Belém, que os ministros respondem exclusivamente perante o primeiro-ministro e recordou o princípio básico de separação entre os poderes judicial e político.

Machete disse, em meados de setembro, à Rádio Nacional de Angola que as investigações não eram mais do que burocracias e formulários referentes a negócios de figuras do regime angolano em Portugal, esclarecendo na sexta-feira que se baseou num comunicado do Departamento Central de Investigação Criminal (DCIAP) de 2012.

A Procuradoria-Geral da República frisou, na sexta-feira, em comunicado, que nunca deu qualquer informação sobre o processo e que a investigação a cidadãos angolanos continua, sublinhando a separação de poderes.

Ler mais

Exclusivos