Seguro exige explicações de Passos sobre ajuda externa

António José Seguro exigiu hoje, em entrevista à RTP, que "o primeiro-ministro venha a público explicar" a eventual disponibilidade da Alemanha em flexibilizar o programa de ajuda a Portugal.

(Imagens da RTP)

"Tenho vindo a insistir com o senhor primeiro-ministro, nos debates quinzenais, em termos públicos, que o país precisa de mais um ano, o senhor primeiro-ministro tem dito que não, e agora assistimos ao senhor ministro das Finanças a dizer que seria apreciado o prolongamento do prazo", disse o líder socialista na RTP, acrescentando que tem defendido que "esse ano ajudaria a aliviar os portugueses" nas políticas de austeridade.

"O primeiro-ministro não pode dizer uma coisa no Parlamento e o ministro das Finanças andar a dizer outra em Bruxelas", apontou Seguro.

António José Seguro reconheceu que o memorando da troika - assinado pelo executivo socialista de José Sócrates - o limita na sua atividade "como líder da oposição". A confissão tem uma explicação: "Há limitações na minha atividade como líder da oposição porque honro esse memorando." E o secretário-geral do PS sublinhou que o faz porque deve "olhar para os interesses do país", acima de "interesses partidários".

"O que me une ao Governo é a consolidação das contas públicas", disse Seguro, por contraponto ao executivo de Passos Coelho, "que acredita que basta pôr austeridade em cima de mais austeridade".

O líder socialista insistiu que "o Governo não se pode queixar da forma como o PS faz oposição", mas voltou a recusar que venham aí mais medidas de austeridade, como as que estão a ser aplicadas na Grécia._"Estamos no limite", disse. Para sublinhar:_"Não consigo imaginar mais medidas de austeridade." Mais à frente voltou a dizer que "tem outro caminho"._"As medidas de recessão conduzem à recessão e este Governo tem carregado nessas medidas sem necessidade", disse, exemplificando com os cortes no subsídio de Natal em 2011 e o aumento do IVA na fatura da eletricidade.