Seguro acusa Passos de destruir 200 mil postos de trabalho

O secretário-geral do PS, António José Seguro, acusou hoje o primeiro-ministro de ter destruído mais de 200 mil postos de trabalho e defendeu que o país precisa de mudar de caminho.

"No ano passado, o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] destruiu mais de 200 mil postos de trabalho. Estamos a caminho de um milhão de desempregados, coisa nunca vista em Portugal", afirmou Seguro, em Famalicão, durante a apresentação da sua moção ao congresso do partido, no qual se recandidata à liderança.

O secretário-geral do PS lembrou ainda que "mais de 40 por cento dos jovens portugueses que não estudam, estão desempregados".

O líder socialista admitiu que o problema do desemprego "não se resolve com uma varinha mágica, de um dia para o outro, com um estalar de dedos", avisou que "o caminho é estreito", mas garantiu que com outras políticas "é possível lá chegar".

"O primeiro-ministro seguiu o caminho do empobrecimento, mas um país que empobrece soma mais problemas aos problemas que já existem", advertiu, sublinhando que, apesar dos sacrifícios exigidos aos portugueses, o défice "está acima do previsto", a dívida "não para de crescer" e a economia contraiu 3,2 por cento.

"O que é inteligente? É prosseguir o mesmo caminho ou mudar de caminho? Sem qualquer clubismo partidário: tem algum sentido continuar no mesmo caminho? Não tem. Toda a gente já percebeu, menos o primeiro-ministro, que só a mudança resolve os nossos problemas", afirmou.

Em matéria de emprego, Seguro propôs a criação de um programa europeu de combate ao desemprego, com um fundo de 100 mil milhões de euros para acudir a todos os países, bem como o lançamento de um programa de reabilitação urbana que privilegie a eficiência energética dos edifícios e a redução para 13 por cento do IVA na restauração.

Paralelamente, sugeriu que se fixe na Europa um "limite admissível" para a taxa de desemprego, acima do qual os subsídios de desemprego sejam pagos pela União Europeia.

Desta forma, o desemprego, em vez de ser visto como um problema de cada país, passaria a figurar como um problema "de toda a Europa" e, como tal, atacado por todos os países-membros.

"A Europa e o primeiro-ministro português consideram que o desemprego e a pobreza são inevitáveis, naturais, danos colaterais, mas nós, no PS, não temos essa visão, consideramos que são flagelos que devem ser permanentemente combatidos", disse ainda.

Seguro reiterou que o Partido Socialista não aceitará ser "cúmplice" do corte de 4 mil milhões de euros nas funções sociais do Estado, como Educação, Saúde e Segurança Social.

"É nos momentos de crise que as pessoas que menos têm mais precisam do Estado", rematou.

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