Seara quer criar escolas de teatro no Parque Mayer

O candidato social-democrata à Câmara de Lisboa, Fernando Seara, defendeu hoje a instalação de escolas na área do teatro no Parque Mayer, espaço que "necessita de uma solução rápida", independentemente da decisão judicial sobre a sua titularidade.

Para o candidato da coligação PSD/CDS-PP/MPT, uma das medidas para dinamizar o Parque Mayer, ao abandono há vários anos, seria que este fosse também "um espaço politécnico e universitário de tudo aquilo que tenha a ver com as áreas científicas conexas com o teatro".

"Penso que é importante haver aqui articulação entre o elemento teórico e prático, ou seja, entre o momento de criação intelectual com o momento do prazer do conjunto das diferentes formas de teatro que aqui se podem concretizar", defendeu, em declarações à agência Lusa, depois de uma visita ao Parque Mayer.

Depois de décadas de história de teatro de revista e de animação da capital, o Parque Mayer vê a sua existência reduzida ao teatro Maria Vitória e o comércio limitado a um restaurante. A envolvente foi transformada em parque de estacionamento, depois de a empresa Bragaparques ter comprado em 1999 (durante a liderança do socialista João Soares) os terrenos do Parque Mayer, espaço que viria a permutar em 2005 (com a liderança do social-democrata Carmona Rodrigues) com a autarquia por metade dos terrenos de Entrecampos.

Do imbróglio judicial para decidir quem fica com os terrenos (depois de uma impugnação do então bloquista José Sá Fernandes, hoje autarca - e candidato - nas listas de António Costa), a Câmara de Lisboa já disse que, qualquer que seja a decisão do Tribunal Central Administrativo de Lisboa, pretende voltar a deter o Parque Mayer.

No entanto, para Fernando Seara não é a titularidade dos terrenos que interessa.

"É evidente que este espaço tem de ser objeto rapidamente de uma solução, quer seja uma solução judicial definitiva, quer seja uma solução a partir de uma negociação entre as partes. Eu julgo que pode haver uma solução entre as partes. A natureza da titularidade é indiferente. O que importa é discutir a fruição. E a fruição é o mais importante", afirmou o candidato.

Para já, a Câmara de Lisboa está a recuperar o Teatro Capitólio e anunciou obras também para o Teatro Variedades até ao final deste ano, medidas que o PSD tem criticado.

"Sem decisão judicial, a Câmara está a fazer filhos em mulheres alheias", disse Vasco Morgado, presidente da junta de freguesia de São José e candidato social-democrata à nova freguesia que resulta da fusão daquela com mais duas (na envolvente da Avenida da Liberdade), Santo António.

O autarca defendeu ainda a integração do Teatro Maria Vitória no novo Teatro Capitólio: "É importante manter um teatro de revista no Parque Mayer. Com o fim anunciado do Maria Vitória, o Capitólio, com cerca de 500 lugares, pode receber o teatro de revista e tornar-se assim mais rentável".

Fernando Seara recusou ainda pronunciar-se sobre as críticas do vereador da Proteção Civil sobre as comunicações entre as entidades de socorro a Sintra, município que o candidato ainda lidera, afirmando apenas que quem não conhece aquele concelho não se pode pronunciar sobre ele.

Além da candidatura liderada por Fernando Seara, concorrem à câmara da capital nas eleições de 29 de setembro o PS (António Costa), a CDU (João Ferreira), o BE (João Semedo), o PPM/PND/PPV (Nuno Correia da Silva), o PCTP/MRPP (Joana Miranda), o PAN (Paulo Borges) e o PNR (João Patrocínio).

O socialista António Costa lidera a Câmara de Lisboa, que é composta ainda por oito vereadores do PS (três de movimentos independentes), sete da coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM e um da CDU.

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