"Salazar captou classe média" para estabilizar finanças

O dirigente e fundador do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas, investigou as razões da longevidade da governação de Salazar e conclui que entre elas está o facto de o ditador ter conseguido captar a simpatia das classes médias para o seu programa de estabilização financeira. Ao passar essa realidade para a atualidade, através da vigência do memorando com a troika, o historiador vê uma atitude governativa diferente: "O equilíbrio financeiro impõe sacrifícios sociais brutais e sem saída à vista."

Para Fernando Rosas, o programa de reajustamento já mostrou que "tem efeitos totalmente destrutivos da economia e exige sacrifícios sempre maiores". O que leva a penalizar a classe média e origina, do ponto de vista da política, grandes divisões no seio da coligação de forças que, normalmente, devia suportar este Governo: "Situação que se reflete nas divisões entre o CDS e o PSD."

Quanto à comparação que alguns portugueses fazem sobre a reencarnação das políticas de equilíbrio financeiro de Salazar pelo ministro Vítor Gaspar e Passos Coelho, o historiador considera: "A política de equilíbrio financeiro de Salazar é uma política clássica e foi relativamente fácil aplicá-la porque estava-se em ditadura e não havia reação política e social. Aplicar esta receita do combate ao défice em democracia política e social, só com a liquidação da democracia social e, a prazo, da democracia política. É a receita que se está a ver nos países periféricos outra vez, mesmo que uma das novidades da crise atual é que está a atingir muito rapidamente os países do centro. Esta é uma crise terrivelmente devastadora e a Europa pode desaparecer como entidade."

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