Salário mínimo divide Costa e Seguro

Embora a direção do PS desminta, a convergência entre António José Seguro e António Costa está mais difícil do que ambas as partes querem aparentar.

[atualizado às 13.20 com as declarações de António José Seguro]

Está em causa a elaboração de uma "Base Comum Orientação Estratégica" para o PS. Uma das questões que divide o líder do partido e o presidente da câmara é o salário mínimo nacional (SMN).

Costa defende que o salário mínimo deve ser objecto imediatamente de uma atualização extraordinária, enquanto que Seguro considera que deve manter em linha com a produtividade nacional - ou seja, congelado, como todos os restantes salários determinados pelo Estado (e em sintonia com o que defende a 'troika').

A direção do PS, no entanto, desmente esta versão dos factos, dizendo que neste aspecto há "convergência" entre as duas partes, defendendo Seguro o mesmo que Costa, ou seja, que deve haver um aumento extraordinário do SMN, estando apenas a ser discutida entre os dois os "termos concretos" em que esse argumento deve ser plasmado na tal "Base Comum de Orientação Estratégica".

O facto de a direção do PS dizer agora que Seguro defende um aumento extraordinário do SMN choca com posições recentes do PS na Assembleia da República. Em 4 de Janeiro passado, o PS recusou votar a favor de projectos do PCP e do BE propondo aumentos do salário mínimo nacional. Preferiu abster-se. Os projectos foram chumbados pela maioria PSD/CDS, contando apenas com os votos favoráveis dos proponentes e do PEV.

No Parlamento, confrontado pelos jornalistas com a notícia do DN, António José Seguro não esclareceu a sua posição sobre o SMN. Sobre o PS sublinhou que "não ouvirão de mim, como não ouviram até ao momento nenhuma declaração, apreciação ou comentário sobre a vida interna do PS". E o secretário-geral voltou a dizer que está "a ouvir militantes" para preparar a reunião da Comissão Nacional, que se realiza no domingo em Coimbra.

As duas partes discordam, por outro lado, numa narrativa que explique a crise portuguesa - e em particular o que levou Portugal a pedir em 2011 ajuda à 'troika'. Seguro parece partilhar do argumento segundo o qual o país viveu muito tempo acima das suas possibilidades, enquanto Costa imputa o principal da crise nacional a razões internacionais.

Seguro e Costa estão a negociar um documento, intitulado "Base Comum de Orientação Estratégica", que, a haver acordo, deverão levar a uma reunião da Comissão Nacional do PS convocada para domingo.

Costa tem relacionado uma decisão sua sobre avançar ou não com uma candidatura à liderança do PS com o sucesso (ou insucesso) na negociação deste acordo. Por ora mantém todas as suas opções em aberto.

Os dois estiveram ontem reunidos durante três horas no Largo do Rato a negociar o documento.

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