Regresso do "filho pródigo" Jorge Coelho embala Seguro

Jorge Coelho voltou à linha da frente do PS, de cujo aparelho foi em tempos patrão. Partido recebeu-o com alegria e já com os olhos postos nas europeias e também nas legislativas.

Jorge Coelho voltou esta terça-feira aos palcos políticos e galvanizou todos os militantes do PS presentes no Pavilhão Casal Vistoso, em Lisboa, incluindo António José Seguro. O jantar-comício era de homenagem aos ex-presidentes da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL), mas Coelho (que liderou aquela estrutura do PS entre 1994 e 2000) fez uma longa intervenção já com os olhos postos nas europeias... e nas legislativas.

"Custe o que custar temos de conquistar aquilo que o País exige de nós e do PS, que é ganhar as próximas europeias para termos uma grande vitória, depois, nas legislativas. Penso que posso dizê-lo em nome de todos: estamos dispostos a ir à luta", afirmou o socialista, manifestando a sua lealdade a Seguro, motivo pelo qual foi muito aclamado pelas centenas de militantes presentes.

Elencando as várias conquistas do País desde 1974, Coelho frisou que "o PS não pactuará com ataques" à educação, ao Serviço Nacional de Saúde ou à Segurança Social. E acusou o Governo de Passos Coelho - "o mais à direita" da democracia - de querer transformar Portugal num Estado "quase tipo Vietname".

Seguro enalteceu, depois, a emoção e a paixão da intervenção e na postura do ex-todo poderoso chefe do aparelho socialista, mas foi quando Coelho falou de investigação e desenvolvimento que recebeu uma das maiores ovações. Porquê? Porque destacou o papel de José Sócrates nesse capítulo.

Na pré-campanha das eleições europeias, Coelho defendeu que o PS tem de mostrar a sua "indignação" face ao discurso do Executivo, que "à pressa, dia a dia, tenta demonstrar que estás tudo resolvido" e que os problemas do País já foram ultrapassados. E questionou, várias vezes, se perante tantas "mentiras" - falou de cortes em rendimentos e aumento de impostos - o Governo merecia a confiança dos portugueses, ouvindo sempre a resposta esperada: "Não."

Embalado, Seguro reforçou a tese de que "em tempos de crise a confiança é um valor fundamental" e ancorou-se nessa ideia para criticar o novo adiamento da apresentação do documento de estratégia orçamental (DEO), que segue esta quarta-feira para Bruxelas: "Não é aceitável que o Governo esconda dos portugueses o que decidiu. Esses documentos, em democracia, não são segredo de Estado. É preciso que assuma aquilo que é a sua política orçamental. Este Governo decide, mas não explica, promete e não faz. Não merece a confiança de um povo."

Já o cabeça de lista, Francisco Assis, condenou "o ataque sem precedentes a alguns setores da sociedade portuguesa" e falou numa outra Europa. "O PSD não tem dito mal das nossas propostas, nomeadamente quando defendemos a mutualização da dívida ou os eurobonds, diz é que não são concretizáveis. Mas nós não aceitamos fatalismos, nem nos resignamos à teoria de que aquilo que é justo não pode ser alcançado."

Ler mais

Exclusivos