Referendo à adoção e coadoção aprovado

O Parlamento aprovou a proposta de realização de referendo à adoção e coadoção por casais do mesmo sexo apenas com os votos favoráveis dos deputados do PSD. Na maioria há mesmo quem considere a iniciativa "lamentável" e nas galerias gritou-se "vergonha".

A Assembleia da República deu esta sexta-feira luz verde ao referendo à adoção e coadoção por casais do mesmo sexo, ainda que o projeto de resolução da autoria de deputados do PSD - o presidente da JSD, Hugo Soares, era o primeiro proponente -, tenha aberto brechas nas bancadas da maioria.

O CDS, como já se sabia, absteve-se, deixando o parceiro de coligação sozinho na votação parlamentar. PCP e BE votaram contra o referendo e no PS dois deputados, António Braga e João Portugal, também se abstiveram.

Já em maio, quando o projeto dos socialistas Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves sobre coadoção por casais do mesmo sexo foi aprovado na generalidade, o ex-secretário de Estado António Braga e João Portugal (eleito pelo círculo de Coimbra) tinham sido os únicos da bancada a votarem contra.

No total, o projeto de resolução passou com 103 votos favoráveis, 92 contra e 26 abstenções, numa sessão plenária em que nove dos 230 deputados estiveram ausentes.

O referendo à coadoção mereceu, contudo, a apresentação de dezenas de declarações de voto e palavras muito duras vindas de elementos da maioria. A deputada Teresa Caeiro (CDS) sublinhou que se está perante uma "iniciativa lamentável" que validou por orientação da direção da bancada, enquanto Carina Oliveira e Francisca Almeida (ambas PSD) revelaram estar contra a proposta de consulta popular. A segunda afirmou mesmo ter sido aberto "um grave precedente" esta sexta-feira.

Nas galerias, várias pessoas gritaram "vergonha" devido ao resultado da votação, até que o vice-presidente da AR, Guilherme Silva, que conduzia os trabalhos, acabou por dar a indicação para que os manifestantes fossem retirados do hemiciclo pelas forças policiais.

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