Quando o candidato do PS não foi o líder

No ano em que o Bloco Central caiu e Soares avançou para Belém, o candidato do PS a primeiro-ministro não foi o seu secretário-geral. Almeida Santos foi o escolhido dos socialistas para as legislativas de 1985.

Em 1985, o PS apresentou um candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas que não era o secretário-geral do partido. Os socialistas aprovaram, a 27 de julho desse ano, "por unanimidade e aclamação" a decisão de o líder do partido, Mário Soares, entrar na corrida à Presidência da República.

Soares aceitava a candidatura, mas antecipava que manteria uma atitude de "reserva" por ser ainda o primeiro-ministro em exercício. O PSD de Cavaco Silva tinha rompido com o Bloco Central em junho, obrigando a antecipar as legislativas. Para essas eleições, com Soares a caminho de Belém, os socialistas candidataram Almeida Santos.

Aquele que é hoje o presidente honorário do PS apresentava-se ao eleitorado, numa carta de 3 de setembro de 1985, como o candidato do partido a primeiro-ministro. "Fui escolhido pelos órgãos nacionais do meu partido para chefiar o próximo Governo do Partido Socialista", escrevia Almeida Santos, notando que "o PS é um partido que teve sempre a mesma liderança" (Soares).

A 6 de outubro de 1985, o PS perdia as eleições, com 20,77%, a pior votação de sempre nas legislativas, na primeira vitória de Cavaco (29,87%), e com o fenónemo do PRD (17,92%) a morder o PS.

Soares deixava de ser secretário-geral e renunciava ao cargo a 13 de novembro seguinte, para formalizar no dia seguinte a sua candidatura a Belém. O presidente do partido, António Macedo, assumia interinamente o cargo de secretário-geral, até Vítor Constâncio ser eleito já em 1986.