PSD fez contas. No tempo de Sócrates havia 661 mil desempregados. Agora só há 636 mil

PSD garante que o governo reduziu o desemprego. E que o emprego aumentou: "há mais 204 mil portugueses, felizmente, a trabalhar". "Os portugueses deram a volta", diz o CDS.

O porta-voz do PSD, Marco António Costa, afirmou hoje que o número absoluto de desempregados diminuiu na atual legislatura, tendo passado de 661 mil para 636 mil entre junho de 2011 e junho deste ano.

Invocando os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados hoje, Marco António Costa sustentou que "a verdade dos factos comprova que, face a junho de 2011, primeiro mês de governação do atual Governo da maioria", houve "uma redução efetiva do número absoluto de desempregados em Portugal".

"Face aos 661 mil existentes em junho de 2011, temos hoje em junho de 2015 636 mil. Isto é, temos uma redução superior a 20 mil desempregados", acrescentou o porta-voz e coordenador da Comissão Política Nacional do PSD, em conferência de imprensa, na sede nacional deste partido, em Lisboa.

Antes, Marco António Costa referiu que o INE fez "uma revisão em baixa de quase um por cento" da sua projeção de desemprego para maio deste ano: "Afinal, em maio não tivemos uma taxa de desemprego de 13,2%, mas sim uma taxa de desemprego de 12,4%".

Segundo o vice-presidente do PSD, "importa também sublinhar a circunstância de que há 29 meses consecutivos que a taxa de desemprego vem baixando e a taxa de emprego está a crescer".

Depois, Marco António Costa falou da evolução do emprego nesta legislatura, mas cingindo-se aos últimos dois anos: "Entre janeiro de 2013 e maio de 2015, há mais 204 mil portugueses, felizmente, a trabalhar".

Por outro lado, destacou os indicadores de clima económico e de confiança dos consumidores.

O social-democrata concluiu que "o país está no rumo certo" e aproveitou para repetir o lema estreado na quarta-feira pela coligação PSD/CDS-PP para as legislativas de 04 de outubro: "Agora Portugal, efetivamente, pode mais".

"Apesar da bancarrota os portugueses deram a volta"

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, considerou "animadora" a taxa de desemprego de 12,4% em junho, divulgada hoje pelo INE, realçando que, pela primeira vez, está abaixo da deixada pelo governo socialista que era de 12,7%.

"Não deixa de ser politicamente relevante que com esta queda para 12,4%, pela primeira vez, a taxa [de desemprego] está abaixo da deixada pelo PS que era de 12,7%", afirmou o deputado do CDS-PP.

Em declarações à Lusa, Nuno Magalhães considerou "os números manifestamente animadores por se tratar da maior revisão em baixa de sempre feita pelo INE - de uma estimativa de 13,2% para 12,4%", o que "vem dar razão ao Governo em só usar números definitivos e não provisórios, como outros fizeram num passado recente".

"Depois viemos a saber que desde o início de 2013, os empresários, os trabalhadores conseguiram criar cerca de 200.000 empregos, o que quer dizer que havendo confiança há investimento e criação de emprego", declarou.

O líder parlamentar centrista CDS-PP destacou ainda o facto de haver "menos 105.000 desempregados, dos quais 22.000 jovens, que é um dos maiores problemas do desemprego no nosso país".

A taxa de desemprego manteve-se inalterada em junho face a maio, nos 12,4%, segundo a estimativa mensal hoje divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

"Apesar da bancarrota, da 'troika', do memorando e da recessão, em quatro anos os portugueses deram a volta e o desemprego é inferior aquele que os socialistas nos deixaram", sublinhou, considerando que ainda assim a taxa de desemprego "continua a ser alta e daí constituir a primeira, segunda e terceira prioridade do próximo Governo e desta maioria".

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