PS vota a favor de moção de censura do PCP

O presidente do grupo Parlamentar do PS afirmou esta tarde que a bancada socialista não estará sujeita a disciplina de voto.

Os deputados receberam da direção do partido e da direção do grupo parlamentar a "orientação" para que votem a favor da moção de censura apresentada pelo PCP - apesar do PS não se rever no conteúdo da proposta comunista.

Alberto Martins justificou o voto a favor como base no argumento de que "o PS censura o Governo, apesar de estar em desacordo com os fundamentos da moção de censura do PCP". Depois, o presidente da bancada socialista salientou que os deputados do PS, em conjunto, apresentarão uma declaração de voto, na qual se demarcarão das posições dos comunistas. "Demarcamo-nos do conteúdo da moção", acrescentou.

O texto que sustenta a moção de censura do PCP ao Governo, em relação à qual António José Seguro já prometeu voto favorável, coloca o PS numa "troica nacional" de apoio ao "Pacto de Agressão" (o memorando), fazendo-a equivaler à "troica estrangeira" dos credores (FMI, BCE e Comissão Europeia).

"Quase três anos passados sobre o início de funções do XIX Governo Constitucional e da imposição pelas troicas nacional e estrangeira do Pacto de Agressão, a situação económica e social revela, em toda a sua dramática extensão, o resultado de um programa ao serviço do grande capital nacional e transnacional e do diretório de potências da União Europeia", lê-se no texto da moção, hoje motivo de debate numa reunião da bancada socialista onde se ouviram várias vozes contestando o sentido de voto favorável à moção já anunciado por Seguro.

Noutra parte do texto comunista lê-se que "três anos passados sob o manto do Pacto de Agressão que PSD, PS e CDS subscreveram, a obra de destruição do País e das condições de vida dos portugueses está à vista: mais 670 mil desempregados, 470 mil empregos destruídos, 600 mil portugueses lançados na pobreza (elevando para quase três milhões o seu número total), uma recessão superior a 6 % sem precedentes desde a 2ª Guerra Mundial, mais de 200 mil portugueses condenados a uma emigração forçada, quase 100 mil empresas liquidadas, um país mais endividado e sujeito a um serviço da dívida insustentável, entrega ao grande capital (sobretudo estrangeiro) de empresas e sectores estratégicos indispensáveis ao desenvolvimento do país, destruição de serviços públicos e das funções sociais do Estado".

Ou ainda que "a mais grave situação nacional desde os tempos do fascismo torna indesmentível o retrocesso económico e social a que conduziu a política de direita executada nos últimos 37 anos por sucessivos governos, agravada nos últimos anos pela execução dos PEC e do Pacto de Agressão assinado por PS, PSD e CDS com a troica estrangeira do FMI, BCE e Comissão Europeia"

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