PS quer saber se Moedas falou com a troika sobre o BES

Socialistas entregam conjunto de questões a várias personalidades à comissão de inquérito. A Vítor Gaspar é perguntado por que razão nunca fez referência aos problemas do banco e do grupo nos documentos que foram sendo divulgados.

O PS entregou esta segunda-feira na comissão de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e ao Grupo Espírito Santo (GES) as perguntas para diversas personalidades que vão responder aos deputados por escrito. Entre a bateria de questões, os socialistas querem saber se Carlos Moedas, antigo secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, alguma vez falou com a troika sobre o banco.

"Nas reuniões que manteve com a troika, no quadro do acompanhamento da execução do programa de ajustamento, a situação financeira do BES chegou ser abordada? De que se falou sobre o BES nessas reuniões?", questiona o PS ao atual comissário europeu com a pasta da Investigação, Ciência e Inovação.

Igualmente sobre os contactos com a troika e sobre as reuniões do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES) na quais o nome de Moedas é referido, os socialistas insistem: "Fez algum contacto com o José de Matos sobre a possibilidade de receber representantes da área não financeira do GES? Alguma vez lhe falou da necessidade que o GES tinha de uma linha de financiamento? Se sim, que resposta obteve? Deu depois nota dessa conversa a Ricardo Salgado?"

Do antigo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o PS quer saber por que razão, desde 2011 até à sua demissão, "nunca houve qualquer referência aos problemas do BES e do GES nos sucessivos documentos que foram sendo divulgados sobre o setor financeiro português". E pede também esclarecimentos sobre a alegada frase do ex-ministro, que consta do livro "O último banqueiro", "Se eu fizesse declarações sobre a dívida do BES tinha muito a dizer". "Em que contexto a fez e o que teria para dizer, que não chegou a dizer, sobre a dívida do BES?", perguntam.

A Vítor Constâncio, ex-governador do Banco de Portugal (BdP) e atual vice-governador do Banco Central Europeu (BCE), os socialistas perguntam qual a situação financeira do BES "e o seu nível de exposição ao restante GES", na altura em que o responsável terminou o seu último mandato como governador, em 2010.

"Tomou conhecimento, durante o período em que foi governador do BdP, de algum indício de contas falsificadas na holding de topo do grupo ESFG [Espírito Santo Financial Group]/BES? Alguma vez algum membro do Conselho Superior do GES, do Conselho de Administração da ESFG ou da Comissão Executiva do BES o contactou, durante o período em que foi governador do BdP, para lhe transmitir dúvidas ou suspeitas sobre as contas do BES ou de alguma holding do GES?", é também perguntado.

Já do antigo comissário Olli Rehn os socialistas pretendem saber, por exemplo, se a medida de resolução aplicada ao BES no dia 3 de agosto "foi uma imposição da Comissão Europeia ou foi, apenas, uma decisão do Governo português e do BdP".

"Como é que, no quadro do programa de ajustamento e das sucessivas avaliações regulares realizadas pela troika, nunca conseguiram identificar os problemas graves que já atingiam o BES?", querem também saber os deputados do PS.

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