PS diz que assumirá "diálogo" para alternativa sólida

O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, declarou hoje que o seu partido assumirá o "diálogo político e social" para uma "alternativa sólida", após reiterar a necessidade de eleições legislativas antecipadas, em declaração política no Parlamento.

O seu homólogo social-democrata, Luís Montenegro, embora admitindo a "gravidade da situação política" em Portugal, optou por apelar ao "sentido de Estado" dos socialistas, com vista a proteger o país da "instabilidade dos mercados".

"O PS assumirá em plenitude as suas responsabilidades, do diálogo político e social, de submeter aos portugueses uma alternativa sólida e o compromisso de concretizar um novo rumo para Portugal", disse o deputado socialista.

Zorrinho considerou que "existe uma única solução" porque "a Constituição não engana" e "é necessário devolver a voz aos portugueses", exigindo "eleições para restaurar a confiança e a esperança".

"Este Governo chegou ao fim. Temos ministros, mas não temos Governo. É confrangedora a falta de sentido de Estado da maioria e a atitude do primeiro-ministro", afirmou, citando as recentes "baixas", Vítor Gaspar e Paulo Portas.

Cavaco Silva reúne-se ainda hoje com o líder do maior partido da oposição, o socialista António José Seguro, após demissões daqueles dois ministros de Estado, respetivamente responsáveis pelas Finanças e os Negócios Estrangeiros.

Portas, líder democrata cristão, está reunido com a comissão executiva do CDS-PP a analisar o seu pedido de demissão ainda por aceitar por Passos Coelho.

"Nesta bancada, não ignoramos a gravidade da situação política. No primeiro governo de Sócrates, também saíram o ministro das Finanças e o dos Negócios Estrangeiros em menos de um ano", contrariou Montenegro.

O líder parlamentar do PSD criticou também a "postura política do PS, que vem afirmando há vários meses a necessidade de eleições antecipadas" porque tal facto tem efeitos de "instabilidade nos mercados".

"O que é que um processo de eleições pode trazer à vida das pessoas? Este é momento em que todos devemos ter serenidade e sentido de Estado para não desperdiçar o sacrifício e o esforço de tantas empresas e de tantas famílias", disse.

Zorrinho atribuiu a "culpa da crise ao primeiro-ministro e à maioria que o apoia" e que "tinha o propósito de cortar pensões e despedir funcionários públicos", algo que a "dividiu irremediavelmente" e colocou "todos os outros portugueses do outro lado da barricada".

Nenhum deputado do CDS-PP quis interpelar o líder da bancada socialista.

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