PS aumenta vantagem sobre PSD

Os socialistas aumentam a sua distância em relação aos sociais-democratas, se hoje se realizassem eleições legislativas. E mesmo se PSD e CDS concorressem em coligação, o PS teria mais votos.

Segundo o barómetro de abril, realizado pelo CESOP da Universidade Católica para o DN, JN, Antena 1 e RTP, na estimativa de resultados eleitorais, face ao anterior barómetro (de julho do ano passado), o PS sobe aos 36% e o PSD cai para os 30% - cavando uma diferença de 6%, a maior desde março de 2013.

Num momento em que o Governo e os partidos da maioria insistem em falar nos sinais que a economia vai dando, os portugueses inquiridos preferem entregar os seus votos aos partidos da esquerda: para além do crescimento dos socialistas, a coligação do PCP e PEV sobe também, para os 12%, mantendo-se a terceira força mais votada, o BE mantém a percentagem anterior (7%) e o voto nos "outros" partidos também sobe (de 3 para 7%). Só o CDS ameniza um pouco a queda do PSD, subindo 1%, mas mantendo-se como a força política menos votada (4%).

A alternativa é ténue. Apenas 23% dos inquiridos entendem que a oposição faria melhor que o atual Governo - números que representam uma (lenta) subida face aos dois últimos estudos. Para aqueles que acham que há um partido que faria melhor, o PS é apontado por 49%, a CDU por 16%, o BE por 11% e "outro" partido, não identificado, também por 11%.

A avaliação do Governo não tem diferenças significativas, mas há mais portugueses a fazerem uma leitura positiva do trabalho do Executivo de Passos Coelho: 20%, quando eram 17%. Apesar da larga maioria que dá uma pesada nota negativa à coligação no poder: 40% acha o seu desempenho "muito mau" (eram 42%) e 33% "mau" (antes eram 35%).

Estas notas têm ecos na avaliação média dos vários intervenientes. Passos Coelho e Paulo Portas têm uma nota de 6,5 (em 20) e só 37% e 35%, respetivamente, avaliam positivamente o primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro.

No pólo oposto, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e a coordenadora do BE, Catarina Martins, têm a maior percentagem de inquiridos a avaliá-los de forma positiva (55% e 51%, respetivamente) - e têm a melhor avaliação média (9 para o líder comunista e 8,5 para a bloquista).

Cavaco Silva mantém uma nota média negativa (7,6), com 52% de notas negativas (pela quarta vez consecutiva) para o Presidente da República.

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias, a Antena 1 e a RTP, nos dias 12, 13 e 14 de abril de 2014. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1117 inquéritos válidos, sendo que 59% dos inquiridos eram do sexo feminino, 31% da região Norte, 21% do Centro, 36% de Lisboa, 6% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 67%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1117 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.

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