PS acusa Passos de tentar condicionar conclusões da comissão parlamentar

Em causa está o inquérito à gestão do BES. PS diz que o PS mudou de posição sobre a atuação de Carlos Costa.

O PS acusou hoje o primeiro-ministro de tentar condicionar as conclusões da comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES, sustentando que o PSD mudou abruptamente de posição sobre a atuação do governador do Banco de Portugal.

Pedro Nuno Santos, vice-presidente da bancada socialista, falava no final da reunião semanal do Grupo Parlamentar do PS, num contexto de críticas à atuação de gestores anteriores e atuais do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES), ao Governo de coligação PSD/CDS e aos reguladores, sobretudo ao Banco de Portugal (BdP).

"O primeiro-ministro já por várias vezes fez declarações, apelando para que a comissão de inquérito parlamentar se foque na gestão. O PS responde-lhe que se irá focar na gestão do banco, na regulação, mas igualmente no papel do Governo. É lamentável que o primeiro-ministro tente condicionar as conclusões da comissão de inquérito", declarou Pedro Nuno Santos.

Segundo o dirigente da bancada socialista, está por explicar "por que motivo o PSD iniciou os trabalhos na comissão de inquérito parlamentar com uma atitude agressiva relativamente à regulação, particularmente no que respeita ao Banco de Portugal, mas, de um dia para o outro, deu uma cambalhota".

"O PSD passou depois a dizer que o governador do Banco de Portugal [Carlos Costa] teve uma intervenção irrepreensível ou rigorosa. Sem qualquer explicação, o PSD passou do ataque ao governador do Banco de Portugal para a sua defesa. Mas o PS não deixará ninguém de fora", contrapôs.

Num outro recado dirigido ao PSD, Pedro Nuno Santos criticou a atuação do ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, que considerou "o responsável máximo" por aquilo que se passou no banco, mas avisou que os socialistas combaterão tentativas "para que administradores executivos do BES facilmente se desresponsabilizem sobre o que aconteceu no banco" - uma alusão ao presidente do BESI, José Maria Ricciardi.

"Administradores executivos do BES até ao fim são também responsáveis, e se dizem que não sabem o que se passou lá então deviam saber. A verdade é que são todos responsáveis, apesar de haver um responsável máximo que foi Ricardo Salgado", salientou o coordenador da bancada socialista na comissão parlamentar de inquérito.

Nas declarações que fez aos jornalistas, Pedro Nuno Santos fez ainda várias críticas à atuação de Carlos Costa entre o final de 2013 e o início de agosto de 2014, e ao Governo. "Se a administração de Salgado fosse substituída logo em 2013, as garantias de eficácia da estratégia do Banco de Portugal eram bem maiores, porque seriam executadas por alguém que não tinha interesse em proteger o ramo não financeiro. Já o Governo, apoiou primeiro a estratégia de não substituição de Salgado antes de julho de 2014 e foi o ator principal da resolução política que implicou a injeção de 3,9 mil milhões de euros do erário público", advogou o dirigente da bancada do PS.

Pedro Nuno Santos considerou que a intervenção do Governo não foi boa para o país, alegando que, inicialmente, se baseou na existência de um buraco financeiro de 1,5 mil milhões de euros, mas que acabou em 4,9 mil milhões de euros.

"O que explica essa diferença três vezes superior à prevista é muito provavelmente o crédito concedido pelo BES ao Banco Espírito Santo de Angola (BESA). Ao colocar o BESA no BES mau, a resolução [do Governo] facilitou a revogação da garantia [do Estado angolano]", admitiu o coordenador do PS na comissão de inquérito parlamentar.

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Anselmo Borges

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