PS acusa Governo de uma "intolerável manipulação"

O líder parlamentar socialista, Carlos Zorrinho, classificou hoje a execução orçamental do primeiro trimestre como "desastrosa" e insistiu nas críticas à forma como o Governo divulgou os dados, que indiciou "uma intolerável manipulação".

"A execução orçamental do primeiro trimestre em Portugal foi desastrosa. Não vale a pena o Governo e a maioria distorcerem a realidade. Não vale a pena em particular insistir que foram cumpridos os critérios. O passado deste Governo está cheio de critérios cumpridos e metas falhadas", afirmou o líder da bancada do PS, Carlos Zorrinho, numa declaração política no plenário da Assembleia da República.

Depois de elencar alguns dos principais indicadores revelados pela execução orçamental, Carlos Zorrinho passou às críticas à forma como os dados foram comunicados pelo Governo, recordando que o executivo de maioria PSD/CDS-PP começou por emitir apenas uma "nota apócrifa com os dados aparentemente favoráveis para condicionar a leitura do relatório" e colocou no portal do Governo "não uma nota oficial, mas um 'take' da Lusa não assinado".

"Este comportamento indicia uma intolerável manipulação. Uma forma de brincar com os números e com os portugueses que é inaceitável", acusou Carlos Zorrinho, sublinhando que "a ética política não é um chavão" e que "o Governo tem o dever de prestar informação séria e credível" mesmo que essa informação revele "a crueza do seu fracasso".

Carlos Zorrinho salientou ainda que se trata de um "problema de atitude democrática e de respeito pela prestação transparente de contas" e avisou que "não é com malabarismos de comunicação que se induz confiança aos agentes económicos".

O líder da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares, juntou-se às críticas à forma como os dados da execução orçamental foram revelados, acusando o executivo de primeiro ter feito um "comentário, omitindo o fundamental dos factos", só libertando o relatório completo ao fim de hora e meia.

Este método de "manipulação de dados oficiais", acrescentou, representou uma "absoluta falta de respeito" pelos portugueses e pelos partidos políticos.

Pelo BE, o deputado Pedro Filipe Soares renovou as acusações de "manipulação", defendendo a necessidade de transparência e clareza.

Na defesa do Governo, PSD e CDS-PP lamentaram que o PS nada tenha dito sobre os dados positivos revelados pela execução orçamental, recordando que se ficou 542 milhões de euros abaixo do défice previsto e acordado com a 'troika'.

"É assim tão difícil ficarem contentes com boas notícias para o país", questionou o deputado social-democrata Luís Menezes, lamentando que o PS esteja cada vez mais "colado à política do quanto pior melhor".

Nuno Magalhães, do CDS-PP, notou ainda a ausência de comentários do PS ao conselho de ministro dedicado ao crescimento e emprego, recordando que tal "não deixa de ser curioso" depois das críticas socialistas por o Governo estar muito focado nas Finanças, deixando a economia para trás.

Na resposta, o líder parlamentar do PS desafiou o executivo a "passar das palavras aos atos", assegurando que todas as medidas positivas para a economia terão o voto favorável dos socialistas.

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