PS acusa Governo de "estragar" projeto Alqueva

O deputado do PS Luís Pita Ameixa acusou hoje o Governo, o PSD e o CDS-PP de estarem "apostados em estragar o Alqueva" e reclamou "outra atitude e um caminho positivo" para o projeto e a agricultura portuguesa.

"O Governo e os partidos que o suportam (PSD e CDS) estão decisivamente apostados em estragar o Alqueva, em descredibilizar a agricultura nacional e em humilhar os agricultores alentejanos, já acusados de incapazes de desenvolver uma agricultura de regadio", refere o deputado, em comunicado enviado hoje à agência

Segundo Luís Pita Ameixa, "é conhecida a má vontade que o Governo dedicou ao projeto Alqueva e já são muitos os exemplos dessa nefasta atitude".

Através do acordo de concertação social, ficou a saber-se que o Governo "vai descomprometer as verbas do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) afetas à construção do Alqueva", refere.

"Afinal, não havia verbas para continuar a obra do Alqueva agrícola - diziam -, mas, agora, já dá para alimentar apetites de desvio para o projeto hidroagrícola do Vouga ou para libertar para outros fins", acusa o deputado.

Por outro lado, "a fim de dar cobertura à deriva do Governo", PSD e CDS-PP apresentaram uma resolução, já aprovada na Assembleia da República e que, "enfeitada de frases a favor da agricultura de regadio, mais não faz do que convalidar a paragem das obras e o abandono do projeto" do Alqueva.

"Na verdade", a resolução do PSD e do CDS "ignora e afasta a questão mais importante e decisiva do Alqueva: conferir ao projeto as condições para a sua continuidade e conclusão com um calendário concreto", lamenta.

Luís Pita Ameixa refere também que o PSD e o CDS "surpreendem ainda" ao apresentarem "a criação de mais uma entidade, dependente da Autoridade Nacional do Regadio, para a gestão integrada de todo o empreendimento" do Alqueva.

"A gestão integrada de todo o empreendimento, isto é, das várias valências", agrícola, energética, turística e de abastecimento público de água, "deve ser, ou será eficazmente, gerida sob a tutela de uma autoridade do regadio?" - questiona o deputado.

O deputado questiona também a razão de se "criar outra entidade específica" se "já existe" a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), com "pessoal e equipamento" e "todo seu histórico de experiência, organização e conhecimento do projeto".

"E não se esclarece o destino a dar à EDIA?", questiona ainda o deputado, que lamenta "tanto desacerto e prejuízo" e reclama "outra atitude e um caminho positivo para a agricultura e para o Alqueva".

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