Proposta para proibir sacos grátis no comércio é boa

A associação Deco considera que a proposta do PS para proibir sacos plásticos gratuitos no comércio é uma medida "positiva e benéfica" para os consumidores e para o ambiente.

"Há uma utilização excessiva do saco de plástico na sociedade portuguesa e é preciso alterar comportamentos", afirmou o secretário-geral da associação de defesa do consumidor, Jorge Morgado, à Lusa, justificando assim os benefícios da proposta dos socialistas.

O PS entregou na quarta-feira no parlamento um projeto de lei para limitar o fornecimento dos sacos de plástico no comércio a retalho, "sobretudo ao nível do comércio sedentário", lê-se no documento, que deixa assim de fora o comércio ambulante.

A ideia é impor ao comércio o que o diploma chama de "sistema de desconto mínimo" sobre as mercadorias vendidas ao consumidor "de valor não inferior a cinco cêntimos por cada cinco euros de compras, com IVA incluído, sempre que este [o consumidor] prescinda totalmente dos sacos de plástico" fornecidos gratuitamente pelo comerciante.

Para quem já cobra pelos sacos de plástico, como fazem algumas grandes superfícies, o projeto de diploma passa a exigir que essa cobrança tenha um "valor simbólico" que não pode ser inferior a um cêntimo por saco tratando-se de sacos oxibiodegradáveis ou dois cêntimos se o saco for não biodegradável.

"É um sistema inovador por ser feito pela positiva [poupança simbólica] e não ser penalizador do consumidor", destaca Jorge Morgado, defendendo que a nova medida também não vai prejudicar o comércio "que já paga pelos sacos" que oferece aos clientes.

A Deco defende ainda que deveria acabar "o mito dos biodegradáveis", lembrando que os ambientalistas, nomeadamente da Quercus, já têm alertado que estes sacos não são efetivamente amigos do ambiente.

"Tem de se criar é o hábito de criar e usar sacos reutilizáveis", concluiu.

VP // MSF

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Os deuses das moscas

Com a idade, tendemos a olhar para o passado em jeito de balanço; mas, curiosamente, arrependemo-nos sobretudo do que não fizemos nem vamos já a tempo de fazer. Cá em casa, tentamos, mesmo assim, combater o vazio mostrando um ao outro o que foi a nossa vida antes de estarmos juntos e revisitando os lugares que nos marcaram. Já fomos, por exemplo, a Macieira de Cambra em busca de uma rapariga com quem o Manel dançara um Verão inteiro (e encontrámo-la, mas era tudo menos uma rapariga); e, mais recentemente, por causa de um casamento no Gerês, fizemos um desvio para eu ir ver o hotel das termas onde ele passava férias com os avós quando era adolescente. Ainda hoje o Manel me fala com saudade daqueles julhos pachorrentos, entre passeios ao rio Homem e jogos de cartas numa varanda larga onde as senhoras inventavam napperons e mexericos, enquanto os maridos, de barrigas fartas de tripas e francesinhas no ano inteiro, tratavam dos intestinos com as águas milagrosas de Caldelas. Nas redondezas, havia, ao que parece, uma imensidão de campos; e, por causa das vacas que ali pastavam, os hóspedes não conseguiam dar descanso aos mata-moscas, ameaçados pelas ferradelas das danadas que, não bastando zumbirem irritantemente, ainda tinham o hábito de pousar onde se sabe.