Primeiro-ministro recusa "striptease" bancário

Pedro Passos Coelho recusou hoje fazer "striptease bancário" das suas contas no período 1997-1999.

Fê-lo depois de António José Seguro lhe ter exigido que levantasse o sigilo bancário sobre as suas contas nesse período, para provar definitivamente que foi mesmo deputado em exclusividade nessa altura.

"Se eu tiver que fazer o striptease para deleite dos leitores de jornais - eu isso não faço", disse Passos.

A abrir o debate quinzenal, o primeiro-ministro garantiu esta sexta-feira, durante o debate quinzenal no Parlamento, que enquanto foi deputado nunca recebeu "qualquer valor da Tecnoforma".

Pedro Passos Coelho afirmou que durante o período em que exerceu o cargo de presidente do Centro Português para a Cooperação apenas apresentou "despesas de representação".

O Governo escolheu para tema do debate quinzenal de hoje, que será aberto pelo primeiro-ministro, "questões de relevância política, económica e social", na primeira discussão no parlamento com Pedro Passos Coelho da atual sessão legislativa.

Será também a primeira vez que os deputados terão oportunidade de questionar diretamente o primeiro-ministro sobre o seu estatuto e remunerações enquanto foi deputado na década de 1990.

Na terça-feira, o primeiro-ministro anunciou que iria pedir à PGR que esclarecesse se cometeu ou não algum ilícito relativo às suas obrigações legais e fiscais enquanto foi deputado - um requerimento que foi enviado na quarta-feira - e do qual prometeu tirar "todas as consequências".

O pedido do primeiro-ministro à PGR aconteceu depois de a revista Sábado ter noticiado que este órgão recebeu uma denúncia sobre alegados pagamentos do grupo Tecnoforma a Passos Coelho quando este desempenhou funções de deputado em exclusividade entre 1995 e 1999 (e que ascenderiam a 150 mil euros) e o jornal Público ter revelado que, no final do seu mandato, o atual primeiro-ministro requereu - e foi-lhe concedido - um subsídio de reintegração de cerca de 60 mil euros, por ter invocado essa mesma exclusividade.

Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral da República disse não poder investigar a denúncia anónima sobre a "eventual ligação de Pedro Passos Coelho à Tecnoforma" por prescrição de um hipotético crime.

"Com efeito, verificando-se a extinção da hipotética responsabilidade criminal por via da prescrição, está legalmente vedado ao Ministério Público proceder a investigação com a finalidade de tomar conhecimento sobre a veracidade ou não dos factos constantes da denúncia", refere o comunicado da PGR.

A PGR revelou ainda que, na sequência de uma denúncia anónima sobre o primeiro-ministro, abriu um inquérito autónomo de outro já existente sobre a Tecnoforma, mas que este foi arquivado por "inadmissibilidade legal de procedimento".

O debate quinzenal com Pedro Passos Coelho acontece também dois dias depois de ter sido assinado com as confederações patronais e a UGT um acordo que estabelece o aumento do salário mínimo nacional de 485 para 505 euros a partir de 1 de outubro.

Passos Coelho admitiu apenas ter tido deslocacões pagas pelo Centro Português para a Cooperação (uma ONG ligada à Tecnoforma).

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