"Prefiro perder eleições e deixar o país em condições"

O conselheiro de Estado e ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes admitiu hoje que "preferia" que o seu partido "perdesse as eleições" em 2015 por deixar "o país direito" do que ganhar como José Sócrates em 2009.

"Eu não quero é um primeiro-ministro que esteja a pensar em governar para eleições. Eu prefiro perder eleições e deixar o país em condições para o futuro, do que ganhar eleições como ganhou há dois anos o engenheiro Sócrates, com o país numa situação caótica", disse hoje o também autarca de Gaia, à margem da inauguração de uma via da futura Circular do Centro Histórico.

Luís Filipe Menezes referia-se às medidas tomadas pelo atual Executivo que "não está a pensar em eleições", afirmando ainda não acreditar que daqui a três anos os portugueses "não estejam reconhecidos" ao PSD por fazer "aquilo que tinha de ser feito, com sacrifícios".

Admitiu também que "preferia que o PSD perdesse eleições e deixasse o país direito, em vez da irresponsabilidade que foi a governação" do PS, recordando que "que o que está a ser feito decorre da enorme irresponsabilidade que se chama Parque Escolar, falência completa das empresas de transportes e investimentos não reprodutivos caóticos, como as autoestradas em que não passa ninguém mas custam milhões durante anos aos contribuintes".

"Essa irresponsabilidade é que conduziu a esta situação e, como já referi, aquilo que o país está a discutir é a dose, já ninguém discute a necessidade das medidas", assinalou.

Questionado sobre a suspensão das reformas antecipadas, Menezes respondeu que "não há motivo para alarido", uma vez que em causa estão "estritamente quatro mil funcionários públicos, num universo de 700 mil a 800 mil, e 70 a 80 mil portugueses" que trabalham no privado.

"É preciso ter a noção que estamos a falar de uma percentagem muito pequena de portugueses. Estamos a falar de uma gota de água para nivelar todos os portugueses por igual", explicou.

Já sobre o regresso dos subsídios de férias e Natal, o social-democrata considerou "uma atitude de prudência apontar [para] 2015", frisando que "o próprio primeiro-ministro disse que se a situação económica do país evoluir de uma forma mais favorável, se o crescimento económico for maior do que aquele que os cálculos mais otimistas preveem, provavelmente essa meta pode ser alterada e antecipada".

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