Portas apresenta a conta das nacionalizações a Heloísa: 28 mil milhões de euros

Debate entre número dois da PàF e deputada do PEV marcado por divergências sobre a Europa e moeda única. Vice-primeiro-ministro não exclui viabilizar Orçamento caso PS vença as legislativas.

Paulo Portas e Heloísa Apolónia encerraram esta sexta-feira o ciclo de debates televisivos rumo às legislativas de 4 de outubro. O presidente do CDS e número dois da coligação Portugal à Frente (PàF) insistiu na mensagem de contenção e caldos de galinha, que tem sido apanágio de PSD e CDS, ao passo que Heloísa o confrontou com os efeitos de quatro anos de austeridade: emigração, desemprego, precariedade e fratura social.

Sobre António Costa, o vice-primeiro-ministro disse logo a abrir que "o desespero nunca é bom conselheiro", a propósito das declarações do secretário-geral do PS, em entrevista à Antena 1, de que não viabilizaria o Orçamento do Estado da coligação, caso esta não conseguisse maioria absoluta nas urnas. E sinalizou abertura caso suceda o contrário: "Do do nosso lado sempre [houve] disponibilidade para compromissos."

Leia o "filme" do debate.

22.03 - José Alberto Carvalho encerra o frente-a-frente..

22.02 - Minuto final para Paulo Portas. "Peço aos portugueses, mesmo que teham dúvidas e reservas, é que preservem o melhor. Estivemos quase em coma, deram-nos alta com tanto esforço feito. Não ponham uma pedra de instabilidade, nem deem uma guinada de radicalismo neste processo", apela.

22.01 - Minuto final para Heloísa Apolónia. A deputada fala da "confiança" dos eleitores na CDU e apela a que votem para que haja um reforço parlamentar do PCP e do PEV.

21.59 - "A CDU utiliza a garantia jovem, os contratos de inserção, tudo isso", acusa Portas para contrapor ataque de Heloísa aos estágios financiados pelo Estado. Portas mostra um mapa com câmaras geridas pela CDU onde tal acontece.

21.57 - "O PEV é um bocado como a melancia: verde por fora, vermelho por dentro", ironiza o vice-primeiro-ministro.

21.56 - Os debatentes divergem também sobre o número de emigrantes. Heloísa diz que são 500 mil, Portas fala em 200 mil. O líder do CDS diz que a deputada do PEV está "a confundir emigração temporária com permanente".

21.54 - Heloísa Apolónia ataca "números falaciosos" do governo. E diz que apenas estão a ser criados "empregos precários".

21.51 - Heloísa diz que governo tenciona privatizar as águas, Portas nega.

21.48 - "Nacionalizar os setores estratégicos custaria 28 mil milhões de euros. Era um ano inteiro de IVA e de IRS", vinca Porta, sustentando que as expropriações resultariam na expulsão do euro. "Era um tributo ideológico", sintetiza.

21.46 - "A senhora deputada não apresentou remédios para a saída do euro, que seria dramática", contrapôs Portas.

21.44 - "Há determinados setores que são de tal modo estratégicos que foi um crime os senhores privatizarem", critica a deputada do PEV, exemplificando com a energia.

21.40 - Heloísa Apolónia elenca os mecanismos comunitários que "nos amarram pés e mãos" a políticas de austeridade. E descreve as consequências: emigração, cantinas sociais cheias, desemprego, cortes nas prestações sociais, etc.

21.37 - Ideia do PCP e do PEV de "saída ordenada do euro faz lembrar o sr. Schäuble", acusa o vice-primeiro-ministro.

21.35 - Saída do euro implicaria "desvalorização acentuada da moeda", perda de rendimentos e corrida aos bancos para levantamento de depósitos. "Faria cair vertiginosamente as poupanças", salienta. "Faria disparar a inflação".

21.34 - Portas volta a frisar que está "encantado" por debater com Heloísa Apolónia.

21.33 - "Grécia deu-nos a entender a total falta de solidariedade da União Europeia. Mas a história não acabou aqui. Vai haver uma brutalidade de austeridade sobre o povo grego", atira Heloísa Apolónia.

21.32 - "A CDU não diz 'amanhã sairemos do euro'. Diz que devemos preparar-nos para essa possibilidade", prossegue Heloísa.

21.30 - "Será irresponsável não preparar o país para a saída do euro", responde Heloísa Apolónia. "Não somos subservientes em relação a essa matéria", atira. E questiona: "Qual foi o custo da nossa entrada no euro?" E exemplifica com a quebra no investimento, o aumento da dívida, do desemprego e lentidão do crescimento económico.

21.28 - Portas diz que "temos de evitar que Portugal caia num segundo resgate". De caminho, acusa o PCP e o PEV de se excluírem "por opção" do "arco da governabilidade". Por defenderem a saída do euro e a renegociação unilateral da dívida.

21.25 - Revisão do rating português por parte da S&P é, para Portas, "bom para Portugal". "Estamos a um degrau" de uma notação positiva, acrescenta. Portas recupera os indicadores favoráveis. "Não os desvalorizaria", recomenda a Heloísa Apolónia.

21.23 - A representante da CDU diz que a atual maioria passou a legislatura a defender que não havia dinheiro para as famílias. Isto para fazer a apologia do aumento da taxa de IRC para 25%.

21.22 - Heloísa Apolónia contesta o conceito de "arco da governabilidade" e afirma que resulta apenas de uma estratégia para "bipolarização" dos votos. Algo a que, recorda a deputada, Portas já se opôs.

21.20 - A deputada do PEV não se vincula a um voto contra o OE 2016, mas salienta que há pontos que se "conseguem adivinhar". Vai ser, refere, a "manutenção da sobrecarga e da sobretaxa de IRS", observa.

21.18 - DIferença entre PàF e CDU, diz Portas, é que a primeira pertence ao "arco da governabilidade". E puxa dos galões sobre o que fez no governo.

21.16 - Heloísa Apolónia diz que Portas "deve pagar" nas urnas o preço da "irrevogável" demissão de 2013. Trocou a demissão por um "título", aponta.

21.12 - Portas insiste em falar de "compromissos" e aponta o dedo a Costa pelo "sintoma de radicalismo". Em oposição à postura do PS, responde a José Alberto Carvalho que "tem visto do nosso lado sempre disponibilidade para compromissos. Não vou votar contra um Orçamento que não conheço. Tentativa de distrair atenções a algo que aconteceu no debate das rádios".

21.11 - "O desespero nunca é bom conselheiro. O secretário-geral do PS decidiu radicalizar." Foi desta forma que Paulo Portas reagiu às declarações de António Costa de que não viabilizará o Orçamento do Estado para 2016, caso a coligação ganhe as eleições mas não tenha maioria absoluta. "As pessoas não estão nessa atitude, numa atitude destrutiva, de votar contra um Orçamento que [Costa] não conhece", prosseguiu, lamentando que o líder socialista prescinda da "possibilidade de o melhorar" e acusando-o mesmo de "nem sequer respeitar a vontade popular". "Não me pareceu uma declaração compreensível pelo eleitorado central".

21.08 - José Alberto Carvalho dá início ao debate, com nove minutos de atraso. A prmeira pergunta é para Paulo Portas.

A 16 dias das eleições legislativas, realiza-se esta sexta-feira o último debate televisivo. Às 21.00, na TVI 24, e conduzido por José Alberto Carvalho, o frente-a-frente será entre Paulo Portas, em representação da coligação Portugal à Frente, e Heloísa Apolónia, deputada d'Os Verdes, em nome da Coligação Democrática Unitária (CDU).

Não estando, pelo menos para já, agendadas mais entrevistas aos líderes das forças com assento parlamentar, os diversos candidatos entrarão então nos dias em que vão contactar diretamente com o eleitorado. No terreno, pelas estradas de todo o país.

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