PCP: regresso aos mercados condenado desde saída de Gaspar

O líder comunista afirmou hoje que o ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar tinha já condenado a data de 23 de setembro e o regresso aos mercados ao assumir que a austeridade fracassou, pois com este Governo "tudo falhou".

"Quem decidiu essa data, quem a anunciou, foi o ministro Gaspar, que se demitiu dizendo que esta política não levaria a lado nenhum. Quando se foi embora levou consigo a data de 23", afirmou Jerónimo de Sousa, numa "arruada" no Porto com muita adesão popular, frisando tratar-se de "mais um falhanço" do Governo PSD/CDS-PP.

O secretário-geral do PS, António José Seguro, classificou o dia de hoje como "um dia negro" e exigiu explicações da parte do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enquanto o porta-voz do PSD, Marco António Costa, contrariou, adiantando tratar-se de "um dia histórico" porque Portugal paga "cinco mil milhões de euros" de dívida pública.

"O que é importante é a confirmação de mais um falhanço de um objetivo que foi anunciado como o grande momento de viragem e que, afinal, não se confirmou, não se confirma e a tendência é para o agravamento", continuou o deputado do PCP, depois de subir a rua 31 de janeiro e entrar na movimentada rua de Santa Catarina.

Jerónimo de Sousa, ladeado pelo candidato da Coligação Democrática Unitária, à Câmara Municipal do Porto, Pedro Carvalho - vereador desde 2011 -, defendeu que o primeiro-ministro, Passos Coelho, tem uma "atração para o abismo".

"Tudo falhou. Não conseguiram um único objetivo dos que anunciaram ao povo português. Foi sempre para servir de cobertura à política de austeridade e aos sacrifícios que foram pedidos aos portugueses", disse.

Além dos bombos e da habitual "Carvalhesa" outras músicas de foram ouvindo pelas artérias da Cidade Invicta, designadamente na avenida dos Aliados, onde a candidatura de Luís Filipe Menezes instalou um concorrido "skate park", nos mesmos e variados tons de azul com que decorou um imparável autocarro de dois andares.

A viatura, com apoiantes do autarca de Gaia, originou mesmo uma troca de palavras de ordem com os apoiantes da CDU, no início do passeio.

Mesmo assim, "A CDU avança, com toda a confiança!" e conseguiu o maior evento do género até agora nesta campanha para as eleições autárquicas de domingo, com mais de mil participantes.

Antes, em Viana do Castelo, outra "arruada" teve menos populares, mas ganhou em originalidade, graças a um técnico de eletrónica dos estaleiros navais, de 52 anos, Joaquim Morais, que levou para o percurso pedestre o seu trator do "hobby" da agricultura, apoiando o candidato da CDU na freguesia da Areosa.

Jerónimo de Sousa encerrou mesmo a ação a subir para o atrelado do veículo para agradecer de viva voz à pequena multidão que o acompanhou pelas ruas vianenses.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...