PCP: Governo esquece os pequenos proprietários

A Direcção Regional do Alentejo (DRA) do PCP alertou hoje para a "gravíssima" situação da agricultura na região, criticando o Governo por, das "poucas medidas" que tomou, as destinar no essencial aos grandes proprietários.

"Face a esta grave situação, as poucas medidas que o Governo tomou, aparecem, no essencial, destinadas aos maiores proprietários e a grandes empresas ligadas à pecuária", argumenta a estrutura comunista.

A DRA do PCP, em comunicado enviado hoje à Agência

"Os preços à produção mantêm-se em baixa, enquanto os preços dos fatores de produção não param de subir, atingindo recordes históricos. Por exemplo, o preço do gasóleo agrícola caminha para ficar no dobro do que era em 2005", exemplifica.

O Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) também é alvo das críticas comunistas, devido ao desequilíbrio entre os apoios concedidos aos grandes proprietários e as verbas destinadas aos pequenos agricultores.

Segundo a DRA do PCP, "60 por cento dos projetos abaixo de 100 mil euros de apoio recebem 10 por cento de toda a verba contratada, enquanto 10 por cento dos projetos recebem quase 60 por cento de toda a verba contratada".

A seca que assola o país, e em especial a região alentejana, é outro dos assuntos focados no comunicado do PCP, que garante que as culturas de outono/inverno "estão já comprometidas" e, no setor da pecuária, os produtores "estão já utilizar as reservas alimentares que deveriam ser utilizadas no verão".

A DRA considera "bastante insuficiente" a antecipação, "na melhor das hipóteses para outubro, ou seja, a dois meses apenas do pagamento normal", de metade das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC), no âmbito do Regime de Pagamento Único.

"Importa referir que o Governo ainda não pagou aos agricultores e à lavoura cerca de 150 milhões de euros correspondentes a várias ajudas do ano passado e até de 2010", denunciam, reclamando do executivo tais pagamentos.

O empreendimento do Alqueva também merece críticas do PCP ao Governo do PSD/CDS-PP.

A DRA exige do executivo "algumas garantias relativamente à conclusão" do projeto, "nomeadamente aos agricultores que fizeram investimentos em função de um calendário que, agora, o governo nega cumprir".

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