PCP apresenta proposta de renegociação da dívida

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, anunciou hoje a apresentação no Parlamento de uma proposta para a abertura urgente de um processo de renegociação da dívida pública, que retire o país das "amarras" da especulação.

Numa intervenção no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, Jerónimo de Sousa traçou um quadro negro após um ano do pedido de ajuda externa de Portugal, insistindo no "objetivo crucial da renegociação da dívida".

Adiantando que o partido irá apresentar uma proposta na Assembleia da República com vista à "abertura urgente de um processo de renegociação da dívida pública que liberte o país das amarras da especulação e de submissão aos interesses estrangeiros e do grande capital", o líder comunista recusou a ideia de uma "mera reestruturação", como "alguns defendem para salvaguardar os interesses dos credores".

Pelo contrário, disse, a renegociação da dívida deve assentar numa reavaliação dos prazos e redução de juros e montantes, libertando, assim, recursos para a promoção do investimento produtivo, a criação do emprego e outras necessidades do país.

Na sua intervenção, seguida por algumas dezenas de comunistas, o secretário-geral do PCP aproveitou para fazer um balanço do primeiro ano após o pedido de ajuda externa, concluindo que Portugal está "mais endividada e dependente, afundada numa recessão económica sem precedentes", traduzida no aumento do encerramento de empresas e marcada por "crescentes injustiças e pelo empobrecimento da generalidade da população".

"É urgente romper com este rumo de declínio económico, retrocesso social, saque e de dependência externa que PSD, CDS e PS, com o apoio do Presidente da República, estão a impor ao país", sublinhou.

Um "rumo de desastre" que, continuou, não consegue ser iludido pelas "mentiras e propaganda" do executivo de maioria PSD/CDS-PP, pois cada "um dos "sucessos' anunciados pelo Governo não são só a confirmação do agravamento dos problemas nacionais, como novos passos em direção ao abismo".

Já no final do seu discurso, Jerónimo de Sousa defendeu ainda uma "ação convergente" com outros países que, tal como Portugal, enfrentam problemas de dívida pública, nomeadamente Grécia, Irlanda, Espanha, Itália e Bélgica.

Essa "ação convergente" deveria ter como "alvo' as imposições da União Europeia e teria como objetivo "barrar a atual espiral especulativa e o colete de forças que está a ser imposto aos povos com novas medidas de austeridade e limitações à sua soberania, preconizou o secretário-geral comunista.

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