Paulo Campos garante não ter contas no estrangeiro

O ex-secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos garantiu hoje que não tem qualquer conta bancária no estrangeiro e que as buscas feitas pela Polícia Judiciária a sua casa visaram apenas recolher informação sobre as parcerias público privadas.

"Não sou titular de nenhuma conta fora dos bancos portugueses, e é absolutamente falso que as buscas feitas pela Polícia Judiciária tenham visado recolher documentos sobre contas bancárias", afirmou Paulo Campos em declarações à Lusa.

O Correio da Manhã noticia hoje que as buscas a Paulo Campos visaram a recolha de informação para sustentar o levantamento do sigilo bancário, e que as autoridades foram confrontadas com contas no estrangeiro e em paraísos fiscais.

Segundo o ex-governante, os investigadores recolheram apenas informações sobre as parcerias público privadas (PPP), na maioria documentação sobre análises feitas e assinadas pelo próprio Paulo Campos.

"Fico até muito satisfeito que os investigadores tenham essa informação, porque tenho todo o interesse no apuramento da verdade", afirmou.

Questionado sobre se tem a consciência tranquila em relação a todos os contratos de PPP nos quais teve responsabilidade, o deputado socialista afirmou que a sua atuação sempre se pautou por critério de "rigor, defesa do interesse público e defesa do interesse nacional".

"Desse ponto de vista, todos os contratos, na minha avaliação, preenchem esses requisitos", sublinhou.

A Polícia Judiciária efetuou buscas nas casas dos ex-ministros das Obras Públicas Mário Lino e António Mendonça, do antigo secretário de Estado Paulo Campos e de uma ex-vogal do conselho de administração das Estradas de Portugal e ex-adjunta de António Mendonça.

As buscas foram efetuadas no âmbito de um inquérito crime às Parcerias Público Privadas, a decorrer no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), e tinham por objetivo a procura e apreensão de documentos.

Em junho passado, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, disse que o Ministério Público estava a investigar "há mais de um mês" as Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias.

Em maio, foi constituída uma comissão parlamentar de inquérito à contratualização, renegociação e gestão de todas as PPP do setor rodoviário e ferroviário.

A comissão de inquérito resulta de duas iniciativas: uma do PSD e do CDS, que previa uma comissão de inquérito às PPP rodoviárias renegociadas em 2010, e outra do Bloco de Esquerda (BE), que propunha uma comissão que analisasse todas as PPP do setor rodoviário, ferroviário e da saúde.

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