Passos: "Vamos combater o ciclo vicioso da pobreza"

Passos Coelho piscou o olho à "classe média", salientando o "contrato de confiança" para a devolução da sobretaxa de IRS.

Apresentar, com mais detalhe, as medidas concretas que a coligação propõe para a governação é o objetivo da segunda semana da campanha da coligação Portugal à Frente. Esta tarde, num almoço em Guimarães com mais de 1500 apoiantes, Passos Coelho lembrou que "parar o ciclo vicioso da pobreza" e combater "as desigualdades sociais" fazem parte dos objetivos do seu programa.

"Não se compreende que Portugal, com os anos de história que tem, sendo um país da União Europeia, mantenha estas taxas de desigualdade social e pobreza depois de tantos anos democracia", salientou o primeiro-ministro.

A coligação entende que "é preciso atacar as condições que levam ao insucesso, que estão na base da desigualdade social, como apoiar os jovens que vêm de famílias com menores rendimentos, os quais, ou vão para o desemprego, ou para um emprego menos qualificado", assinalou.

Para esse combate, sublinhou, tem um projeto, que conta com o apoio de Instituições Privadas de Solidariedade Social e outras associações, para, logo desde o ensino básico, dar esse apoio.

Depois Passos "piscou o olho" à "classe média", reconhecendo que foi das classes sociais "mais fustigadas" pela sobrecarga de impostos, devido às medidas de austeridade. Lamentando não poder devolver todo o valor da sobretaxa já em 2015, lembrou o "contrato de confiança" assumido pelo Governo com esses eleitores e contribuintes.

"Assumimos o compromisso, segundo o qual se a receita fiscal, o IVA e o IRS, ficar acima do que projetámos, o que vier a mais será devolvido aos contribuintes. Sabemos hoje que podemos devolver já parte substancial desse sobretaxa e até final legislatura, garantir que não exista mais a sobrecarga dessa sobretaxa".

Recorde-se que esta semana, segundo os cálculos da execução orçamental, neste momento já poderia regressar aos bolsos destes contribuintes 35% do valor desta sobretaxa, mas o cálculo final será apenas definido no final do ano.

De manhã, em Vizela, uma autarquia socialista, Passos foi recebido por centenas de apoiantes. "Corajoso, é muito corajoso vir aqui ao mundo dos PS", apoiava Manuela Freitas, com um lenço da campanha ao pescoço. Manuela garante que "havia muito menos gente quando o Costa (António)" ali tinha estado há uma semana.

Mas apesar dos aplausos ao primeiro-ministro esta vizelense confessou ao DN que ainda não sabe se vai votar. "Tinha uma pequena empresa de têxteis-lar que tive de fechar, por causa da crise. Agora estou desempregada há três anos e há coisas que me revoltam muito. Trabalhei toda a vida, criei postos de trabalho e agora nem sei que reforma vou ter", desabafou. Mas assegura que "se votar" será "na coligação".

Manuela faz parte daquele eleitorado que votou PSD ou CDS nas últimas eleições legislativas e que tem sido, nas intervenções de Passos Coelho e de Paulo Portas, alvo de atenção especial. Ainda ontem, no seu discurso, o presidente do PSD garantiu que aqueles que tinham sido "mais sacrificados" pelas suas medidas de austeridade, nos últimos quatro anos, estariam agora na "primeira linha dos benefícios da recuperação económica".

Os grupos sociais em causa são, elencou Passos, os pensionistas, a classe média, os jovens, os funcionários públicos. O candidato a primeiro-ministro, garantiu que não iria mais "corta pensões" nem "aumentar cortes nos salários".

A maratona hoje está do distrito de Braga, onde no ano passado foi cabeça de lista o ex-ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, constituído arguido no âmbito da investigação aos "vistos gold". Desta vez é Jorge Moreira da Silva, o ministro do Ambiente, a ser o primeiro rosto da coligação, seguido por Fernando Negrão, presidente da comissão de inquérito ao BES.

Ambos estão da comitiva de Passos e Portas, tal como Telmo Correia, vice-presidente do CDS e o primeiro centrista da lista de Braga. Macedo, soube o DN, não vai participar em nenhuma ação de campanha do distrito, que termina com um comício na cidade.

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