Passos repete que desemprego pode ser oportunidade

O primeiro-ministro afirmou hoje que "mantém" as afirmações sobre o desemprego poder ser uma oportunidade e acrescentou que Portugal "está cansado das crises artificiais" que querem "aproveitar qualquer coisa" para tentar criar "uma tensão enorme no país".

"Acho que o país está um bocadinho cansado das crises artificiais e desta tentativa de distorcer e de aproveitar qualquer coisa para querer fazer uma tensão enorme no país. Sei bem o que disse e mantenho o que disse", afirmou Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas.

O primeiro-ministro falava à entrada para um almoço-conferência do encontro de líderes de juventudes partidárias europeias de centro-direita, que decorre em Lisboa.

"O país precisa de retirar aos desempregados o estigma do desemprego e aqueles que estão nessa situação perceberão que terão, por parte do Estado, o apoio devido para se prepararem para um futuro. Mas precisam também, e toda a sociedade, de encarar a situação do desemprego como uma situação que é preciso vencer e não pode ficar estigmatizada nas pessoas", acrescentou.

O primeiro-ministro tinha sido confrontado pelos jornalistas com as críticas da oposição em relação a um discurso que fez na sexta-feira no qual apelou à "cultura de risco" e considerou que o desemprego não tem de ser encarado como negativo e pode ser "uma oportunidade para mudar de vida".

Passos Coelho referiu, na sexta-feira, que "estar desempregado não pode ser, para muita gente, como é ainda hoje em Portugal, um sinal negativo".

"Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida, tem de representar uma livre escolha também, uma mobilidade da própria sociedade", afirmou, durante a tomada de posse do Conselho para o Empreendedorismo e a Inovação, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Questionado hoje sobre o motivo porque foi mal interpretado pela oposição em relação a estas afirmações, o primeiro-ministro respondeu: "Não sei se foi mal interpretado ou se quiseram interpretar assim. Eu acho que quiseram interpretar assim".

Passos Coelho negou ainda que as suas afirmações em relação ao desemprego sejam contraditórias com outras feitas pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, também na sexta-feira, que considerou que "a satisfação de vida de um desempregado não se recupera".

"Não há nenhuma contradição", sublinhou Passos Coelho várias vezes.

"O desemprego é hoje a maior chaga social que nós temos, não há duvida quanto a isso, e nós temos de a vencer. Mas não vamos vencer a situação do desemprego estigmatizando os desempregados. As pessoas que estão desempregadas percebem que precisam de novas oportunidades na sua vida e que essa situação não as vai vencer. É una situação que elas têm de vencer", afirmou.

No discurso que fez na abertura do almoço da "Chairmen's Conference" da YEPP (Juventude do Partido Popular Europeu), o primeiro-ministro defendeu o projeto europeu e considerou que os países da união "estão hoje muito mais bem preparados para enfrentar choques externos porque desenvolveram uma gestão inteligente da crise".

Porém, Passos Coelho defendeu a necessidade de mais mudanças e sobretudo a eliminação dos obstáculos à entrada no mercado de trabalho dos mais jovens.

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