Passos indica Carlos Moedas para comissário europeu

O nome indicado pelo chefe do Governo português para integrar a futura Comissão Europeia foi o de Carlos Moedas, secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, disse à Lusa fonte do gabinete do primeiro-ministro.

Moedas, de 43 anos (faz 44 no dia 10 de agosto), é natural de Beja. Licenciou-se em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico e, desde 1998, trabalhou para o grupo Suez Lyonnaise des Eaux em França. Após passar por Harvard, nos EUA, onde em 2000 tirou um MBA, voltou à Europa para trabalhar na área de fusões e aquisições da Goldman Sachs, refere o seu currículo oficial na página de internet do Governo português.

O seu regresso a Portugal deu-se em 2004, como administrador delegado da Aguirre Newman e membro da Comissão Executiva da Aguirre Newman em Espanha. Quatro anos mais tarde criou a sua própria empresa de gestão de investimentos.

Moedas, do PSD, foi um dos representantes do partido nos encontros com a delegação da chamada 'troika' (UE, BCE e FMI) no contexto da negociação do programa de resgate português (o qual terminou em maio deste ano).

O primeiro-ministro Passos Coelho tinha indicado que seria hoje divulgado o nome do candidato português à Comissão, depois de ontem à noite ter falado ao telefone com o novo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O ex-primeiro-ministro do Luxemburgo, proposto pela maioria dos líderes dos 28 e aprovado por maioria pelo novo Parlamento Europeu, deverá distribuir as pastas da futura Comissão Europeia e apresentar a sua equipa no Conselho Europeu de 30 de agosto. Segue-se depois a aprovação da equipa pelo Parlamento Europeu.

O também ex-presidente do Eurogrupo já fez saber que pretende ter uma Comissão com muitas mulheres, algo que, em Portugal, tinha suscitado discussões sobre uma eventual candidata a comissária: Maria Luís Albuquerque, atual ministra das Finanças, Maria João Rodrigues, economista e conselheira europeia, e Maria da Graça Carvalho, ex-eurodeputada e ex-ministra da Educação, foram alguns dos nomes referidos na imprensa nacional.

A porta-voz de Juncker, Natasha Bertraud, chegou mesmo a alertar ontem que a falta de mulheres indicadas pelos Governos nacionais para a nova Comissão poderia inclusivamente atrasar a formação da nova equipa que irá suceder à de Durão Barroso (que termina funções em novembro).

Hoje também, o Governo de Itália, liderado por Matteo Renzi, anunciou que a sua candidata a comissária é a atual ministra dos Negócios Estrangeiros Federica Mogherini. Na carta endereçada a Juncker, hoje citada pela AFP, Renzi refere que os italianos pretendem ver Mogherini ocupar um cargo de vice-presidente da Comissão ou então suceder à britânica Catherine Ashton no lugar de Alta Representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia.

Ontem à noite, a Polónia revelou que o seu candidato é também o atual chefe da diplomacia polaca, Radoslaw Sikorski, depois de a Suécia ter comunicado durante o dia que iria reconduzir Cecilia Malmström, atual comissária dos Assuntos Internos.Na terça-feira, o Presidente francês François Hollande propôs a Juncker o nome do ex-ministro das Finanças Pierre Moscovici, com a indicação de que queria vê-lo no cargo dos Assuntos Económicos, uma pasta que se tem revelado de grande importância durante os últimos anos de crise na UE (sobretudo na Zona Euro).

A maior parte dos países já indicou o nome dos seus comissários. Segundo as atuais regras europeias, cada um dos 28 Estados membros da União Europeia tem direito a nomear um comissário, sendo as pastas depois distribuídas pelo presidente da Comissão (neste caso, Juncker, do Luxemburgo). Aquando da crise que antecedeu a aprovação do Tratado de Lisboa, chegou a ser proposta a redução do colégio de comissários, mas a ideia caiu face ao resultado negativo do primeiro referendo irlandês a esse mesmo tratado.

Até agora, Portugal teve quatro comissários: António Cardoso e Cunha foi responsável pela área das pequenas e médias empresas na Comissão liderada por Jacques Delors; João de Deus Pinheiro teve as pastas da Comunicação e Informação e das Relações com os países do ACP (África-Caraíbas-Pacífico); António Vitorino esteve à frente da Justiça e Assuntos Internos no colégio de comissários liderado por Romano Prodi; por fim, Durão Barroso, ex-primeiro-ministro de Portugal, foi presidente da Comissão Europeia, conseguindo dois mandatos consecutivos à frente desta instituição europeia.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.