Passos diz que "dignidade de Portugal nunca esteve em causa"

"Se a troika atinge a dignidade, não é com certeza por quem cumpre o que ficou acordado, mas por quem teve de a chamar", acusou primeiro-ministro de dedo apontado ao PS.

O primeiro-ministro recusou a leitura do presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker, que tinha afirmado que a política da troika tinha "pecado contra a dignidade" dos portugueses e dos gregos. "A dignidade de Portugal nunca esteve em causa durante o processo de ajustamento e a dignidade dos portugueses também não. Tive oportunidade de o dizer diretamente ao presidente da Comissão Europeia. Nunca teríamos permitido que a dignidade dos portugueses fosse atingida e não foi atingida", atirou Passos Coelho.

Falando no debate quinzenal, no Parlamento, o primeiro-ministro tinha começado por falar de números positivos para o país, em resposta ao líder parlamentar social-democrata, Luís Montenegro, para só depois comentar as declarações do líder europeu, que é da família política na Europa do PSD e do CDS, o Partido Popular Europeu.

Já no período de respostas ao líder da bancada do PS, Ferro Rodrigues, que tinha criticado Passos Coelho foi ainda mais incisivo, virado de dedo em riste para os socialistas. "Se a troika atinge a dignidade, não é com certeza por quem cumpre o que ficou acordado, mas por quem teve de a chamar."

Sem dizer o nome daquele que foi o primeiro-ministro anterior, Passos Coelho afirmou que quem teria posto em causa essa dignidade foi José Sócrates, que não queria pedir ajuda, "por questões de orgulho" como o próprio chegou a admitir. "Quando não estamos em condições de cumprir as nossas responsabilidades, devemos pedir ajuda", defendeu.

Ferro Rodrigues insistiu nas críticas, trazendo ao debate a ministra das Finanças, sentada ao lado do seu homólogo alemão, Wolfgang Schäuble, para acusar Maria Luís Albuquerque de ser "instrumentalizada contra a Grécia" e de atuar "como porta-voz da Alemanha".

Passos Coelho recusou, "apesar do tom suave", o ataque a Maria Luís, para defender: "Nós não somos um instrumento de ninguém". Às palavras do primeiro-ministro, vozes socialistas atiravam o nome de Manuela Ferreira Leite para o plenário. Afinal, a antiga líder social-democrata, na noite de quinta-feira, na TVI24, defendeu que "Portugal está a ser instrumentalizado pela Alemanha para provar aquilo que não é suscetível de ser provado: que o programa de ajustamento é fantástico, é bom, o que é preciso é cumpri-lo".

A abrir o debate quinzenal, já Luís Montenegro tinha sublinhado, na perspetiva do PSD, que "os portugueses deram uma verdadeira lição de dignidade à Europa". "Quer a oposição falar de dignidade? Vamos dizer à Europa que é a mais digna das verdades que os portugueses foram dignos e cumpriram", criticou, numa intervenção em que o líder parlamentar social-democrata só se ocupou das posições das bancadas da esquerda.

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