Passos Coelho pede a governantes para viajarem menos

Foi na última terça-feira, em Cascais, no restaurante da Cidadela. Passos convocou o Governo todo para um almoço de Natal. E avisou: "As eleições não se ganham no estrangeiro. Ganham-se cá dentro, em Portugal"

O que os governantes ouviram foi, segundo contou esta noite Marques Mendes na SIC, um "forte apelo" do primeiro-ministro à mobilização dos governantes "com vista às eleições".

Passos Coelho terá mesmo surpreendido os presentes ao dizer especificamente aos membros do Executivo que em 2015 passem menos tempo a viajar e passem mais tempo em Portugal, no terreno, contactando a população: "As eleições não se ganham no estrangeiro. Ganham-se cá dentro, em Portugal", terá dito o primeiro-ministro, segundo contou o comentador político da SIC.

Mendes sublinhou no seu comentário que esta intervenção de Passos é já feita no pressuposto de que PSD e CDS avançarão juntos para as legislativas (porque no jantar estavam governantes dos dois partidos).

Segundo contou, tanto o PSD como o CDS mandaram fazer sondagens e os resultados demonstram duas coisas: "Concorrendo em separado, levam uma banhada." Já concorrendo em conjunto "aproximam-se muito do PS, ficando "quase taco a taco".

Portanto, em conclusão: "A coligação é inevitável." Poderá haver de parte a parte atos de bluff. Mas Passos Coelho e Paulo Portas "estão condenados a concorrer juntos". "A alternativa é o suicídio político. É dar a vitória a António Costa mesmo antes das eleições."

Oficialmente, tanto no PSD como no CDS já foi demonstrada pré-disponibilidade para ser negociada uma coligação pré eleitoral. Passos Coelho terá ido já mais longe do que Paulo Portas ao afirmar que se criou na governação um "cimento" entre os dois partidos.

Tanto um como outro têm afirmado que as negociações deverão decorrer algures no primeiro trimestre de 2015. É preciso estabelecer uma platorma programática comum e ainda a relação aritmética entre os dois partidos nas listas de candidatos a deputados.

Marques Mendes disse também quem serão, na sua opinião, os mais prováveis candidatos, à direita e à esquerda, nas próximas eleições presidenciais (princípio de 2016).

"O que acho mais provável, do que sei e do que conheço? Um confronto entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Guterres." Isto porque António Guterres "não tem hipóteses de ser secretário-geral da ONU". "Seria bom para Portugal mas não é possível. Logo, fica livre para Belém - e se disser que não é uma dor de cabeça para o PS."

À direita o seu palpite vai para Marcelo Rebelo de Sousa. "É de longe o mais forte, o mais popular, o mais prestigiado e o mais desejado da área do centro e do centro-direita" e "se isso suceder será um grande confronto, uma espécie de derby, mobilizador" e com um "resultado Imprevisível".

Na opinião deste ex-líder do PSD, os três mais prováveis candidatos da área do PS são, além de António Guterres, António Vitorino e Sampaio da Nóvoa, o ex-reitor da Universidade Clássica que Mário Soares trouxe para a linha da frente do combate político ao Governo.

Já na área do PSD, serão, além de Marcelo, Pedro Santana Lopes (aparentemente o preferido de Passos Coelho) e Rui Rio.

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