Passos atribuiu ausências a ânsias de "protagonismo"

O primeiro-ministro afirmou hoje, a propósito das ausências de Mário Soares e Manuel Alegre nas comemorações oficiais do 25 de Abril, que está "habituado a que algumas figuras políticas queiram assumir protagonismo em datas especiais".

Pedro Passos Coelho disse ter pena que "figuras históricas" como Soares e Alegre tenham decidido faltar às comemorações do "Dia da Liberdade", numa altura Portugal "vive um regime menos livre do que devia", por "ter tido necessidade de assumir a sua falência interna na gestão das suas finanças públicas", e está a tentar recuperar a sua "completa liberdade" face ao exterior.

"Estou habituado a que ao longo dos anos algumas figuras políticas queiram assumir protagonismo em datas especiais. Esta data especial não pertence ao Governo, pertence ao povo e ao país. Cada um assume as suas responsabilidades", afirmou o primeiro-ministro aos jornalistas.

Segundo disse, "o 25 de Abril é uma data suficientemente importante para Portugal para que não seja utilizada para outros fins que não os de comemorar e de celebrar a liberdade em Portugal".

O chefe do Governo manifestou ainda a expectativa de que as comemorações de quarta-feira "decorram à altura daquilo que os portugueses estão habituados a sentir e a ver, e a participar também".

Na segunda-feira de manhã, a Associação 25 de Abril anunciou que não iria participar nos "atos oficiais nacionais evocativos" desta data histórica por considerar que "o poder político que atualmente governa Portugal configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores". Em solidariedade com a decisão, o antigo Presidente da República Mário Soares e o ex-candidato presidencial Manuel Alegre, ambos conselheiros, anunciaram que também não iriam participar nas comemorações oficiais do 38.º aniversário da "Revolução dos Cravos" na Assembleia da República.

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