Partido Trabalhista retira apoio a José Manuel Coelho

O presidente do Partido Trabalhista Português (PTP) disse hoje existir uma "rutura total" com o grupo parlamentar do partido na Assembleia Legislativa da Madeira, desafiando os três deputados eleitos em outubro a assumirem-se como independentes.

"Não há volta a dar", afirmou à Lusa o presidente do PTP, Amândio Madaleno, que criticou a "postura" do líder do partido na Madeira e responsável pelo grupo parlamentar na Assembleia Legislativa, José Manuel Coelho, que classificou como "mau exemplo" para a política.

José Manuel Coelho, que foi cabeça de lista do PTP às eleições regionais da Madeira a 9 de outubro do ano passado, conquistando para o partido um resultado histórico de três deputados, tem sido protagonista de vários episódios, sobretudo no Parlamento regional.

No decurso da tomada de posse do Governo da Madeira, a 9 de novembro, o deputado interrompeu a cerimónia momentos antes do discurso do seu presidente, o social-democrata Alberto João Jardim.

Em janeiro, numa sessão da Assembleia Legislativa, sentou-se na cadeira destinada a Alberto João Jardim, exibindo uma fotografia do governante, tendo depois empurrado os funcionários do Parlamento antes de regressar ao seu lugar.

O mês passado, José Manuel Coelho, que foi candidato à Presidência da República, foi expulso por duas vezes no mesmo dia da Assembleia.

Já este mês, os trabalhos na Assembleia Legislativa foram suspensos na sequência dos deputados do PTP estarem a perturbar o plenário e depois de José Manuel Coelho ter sido advertido para moderar a linguagem.

Para o presidente do PTP, "a política faz-se de outra maneira", lamentando, igualmente, que os parlamentares "não apresentem medidas concretas em defesa dos trabalhadores e das empresas".

"Todos os dias faz qualquer coisa e sou confrontado por militantes e dirigentes do partido", declarou, explicando que a rutura se confirmou numa reunião na sexta-feira à noite.

À Lusa, José Manuel Coelho contrapôs que as iniciativas que toma no Parlamento regional visam "alertar" para a situação deste órgão que considera funcionar "como um apêndice da ditadura jardinista".

Assegurando que o grupo parlamentar apresenta propostas "mas que não são agendadas", José Manuel Coelho respondeu, desta forma, ao repto lançado pelo presidente do partido: "Não nos vamos tornar independentes, somos do PTP, ele é que tem de convocar um congresso, fazer eleições internas e deixar-se de acusações".

Para o deputado esta polémica decorre do facto de o grupo parlamentar se recusar a entregar ao PTP verbas da subvenção a que tem direito.

"Não podemos, porque é ilegal", justificou o líder do grupo parlamentar.

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