"O PSD tem pressa, o CDS não tem pressa", diz Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa considerou ontem que os dois partidos da maioria governamental estão, neste momento, a duas velocidades no entendimento que têm para uma coligação eleitoral nas legislativas de 2015.

"O PSD tem pressa, o CDS não tem pressa", sintetizou o professor universitário no seu espaço habitual de comentário na TVI. Para Marcelo, a pressa do PSD é "antes do mais" do primeiro-ministro e líder social-democrata, que "quer saber com que linhas se cose" para o futuro, se pode contar com o CDS e com Paulo Portas para uma coligação pré-eleitoral. "O PSD, ou seja Passos quer saber se Portas fica e se o CDS alinha numa coligação para o futuro. E o CDS quer ganhar tempo", apontou.

Os dois líderes da maioria já remeteram para um "momento adequado" qualquer decisão sobre a ida a votos coligados ou não. Mas Passos Coelho também introduziu um pauzinho na engrenagem da coligação, ao admitir há semanas que "estava disponível para falar com o PS depois das legislativas", como recordou Marcelo. E isto veio criar um novo "problema", reconheceu o comentador. "O CDS não quer ser utilizado antes para ser deitado fora a seguir", apontou. "Isto está escrito nos livros: o partido mais forte quer entalar o mais fraco, o mais rápido possível. E o mais fraco quer ser entalado, o mais tarde possível", disse.

No jogo de equilíbrios da atual coligação, o CDS também tem pressa, mas no campo fiscal. O partido de Paulo Portas "quer que se defina depressa a baixa do IRS", afirmou Rebelo de Sousa. Mas "o primeiro-ministro e a ministra das Finanças querem guardar isso até ao fim", disse. E Marcelo não deixou de notar que, "aqui ao lado", em Espanha, o governo de direita de Mariano Rajoy anunciou uma forte descida da tributação. "O CDS quer definir isto depressa e o exemplo espanhol pode ajudar", insistiu.

Sobre a convocação do Conselho de Estado, o também conselheiro notou que "não parece fácil haver consenso entre PS, PSD e CDS", mais ainda quando António José Seguro "defendeu [ontem] uma posição que é exatamente oposta aquilo que defendem PSD e CDS", disse, referindo-se à declaração do líder socialista ao DN em que desafiou este órgão a discutir a renegociação da dívida.

Sobre o PS, o social-democrata criticou salomonicamente os dois candidatos: Seguro por atirar o registo de simpatizantes nas eleições primárias até muito tarde; e Costa pela "alegria com que encarou" o apoio de 25 fundadores socialistas à sua candidatura. Afinal, lembrou Marcelo, um deles veio colocar condições a Costa ("tens de dizer qual é o teu programa") e por parecer que há "militantes de primeira" e outros que não o são.

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