Nos últimos 40 anos, a sociedade produziu muitos ricos, e alguns deles muito rapidamente"

As salamandras acesas aquecem a sala de fumadores do Spianata, uma espécie de avançado no terraço traseiro do restaurante ao cimo da Rua de Santa Quitéria. Teresa Leal Coelho escolheu-o por três razões: fica a meio caminho entre a sede do partido e a Assembleia da República, é propriedade de uma amiga e, sobretudo, gosta de ir puxando por um cigarro à medida que as conversas avançam.

A deputada do PSD controla o relógio com ansiedade. É o dia em que o Parlamento vota a adoção por casais homossexuais e Teresa Leal Coelho não quer perder pitada dos trabalhos. "Ao longo desta legislatura já tivemos vários projetos para a adoção e a coadoção. E este último foi aprovado na generalidade. Considero que esta é matéria de direitos, liberdades e garantias. Quando discutimos a admissibilidade da coadoção estamos a falar na necessidade de eliminar uma restrição que está concretizada na lei e que se aplica exclusivamente a situações que já existem. São crianças que vivem em determinada família. E, portanto, encontro na ordem jurídica portuguesa uma norma que proíbe a coadoção no caso dos casais homossexuais. Essa restrição é discriminatória em relação à criança, porque fica menos protegida do que uma criança em iguais circunstâncias desde que o casal seja heterossexual.

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Técnicos e juízes receiam ataques pelas suas decisões

É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.